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Cristiano Zanin

Ministro do STF

Em exercício desde 2000
Biografia

Resumo biográfico

Cristiano Zanin Martins é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) desde agosto de 2023, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nascido em Piracicaba (SP) em 15 de novembro de 1975, tem 50 anos e ficou conhecido como advogado de Lula nos processos da Operação Lava Jato, que terminaram anulados pelo próprio STF. No Supremo, integra a Primeira Turma, que presidiu no julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, em setembro de 2025. Em outubro de 2026, também como ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornou-se o centro da maior polêmica do segundo turno ao prorrogar a votação até as 19h em todo o país, decisão que levou a oposição a protocolar pedidos de impeachment contra ele. Origem e formação Zanin é filho de uma diretora de escola pública e de um advogado. Mudou-se para São Paulo em 1994 para estudar direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), onde se formou em 1999 e fez especialização em direito processual civil. Lecionou direito civil e processo civil na Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp). Advocacia empresarial (2000 a 2023) Começou a advogar em 2000 no escritório Arruda Alvim, onde fora estagiário. Em 2004, tornou-se sócio do Teixeira Martins Advogados, de Roberto Teixeira, advogado e amigo de Lula. Em 19 de junho de 2004, casou-se com a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins, filha de Roberto Teixeira. Lula, então no primeiro mandato, foi padrinho do casamento. A amizade entre Lula e Roberto Teixeira vinha dos anos 1980, quando a família do petista chegou a morar num imóvel do advogado em São Bernardo do Campo. Zanin e Valeska têm três filhos e abriram escritório próprio em 2022. A carreira foi construída no direito empresarial. Atuou na recuperação judicial da Varig, na falência da Transbrasil e na revisão do acordo de leniência da J&F. Em janeiro de 2023, foi contratado pela Americanas numa disputa com o BTG Pactual. Foi membro do Instituto dos Advogados Brasileiros, da Associação dos Advogados de São Paulo e da International Bar Association. Defesa de Lula na Lava Jato (2013 a 2022) Tornou-se advogado da família de Lula em 2013 e assumiu a defesa do ex-presidente nos processos da Lava Jato, ao lado dos criminalistas José Roberto Batochio e Luiz Felipe Mallmann de Magalhães. A BBC News Brasil registrou que ele não tinha experiência em direito penal quando assumiu o caso. A estratégia central foi a tese de que o então juiz Sergio Moro era parcial e agia em sintonia com a acusação. Zanin também difundiu no debate público o conceito de lawfare, o uso do processo judicial para perseguir adversários. Em 2017, fundou o Instituto Lawfare. Os confrontos com Moro em audiências tiveram provocações e ironias dos dois lados, segundo a Folha de S.Paulo. O desfecho veio em 2021. Em março, o ministro Edson Fachin anulou as condenações de Lula ao declarar a incompetência da Vara de Curitiba. Em 23 de março de 2021, a Segunda Turma do STF decidiu, por 3 votos a 2, que Moro foi parcial na ação do tríplex do Guarujá e anulou os atos dele no caso. Lula recuperou os direitos políticos e venceu a eleição de 2022. Operação E$quema S (2020 a 2022) Em setembro de 2020, o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio, autorizou buscas em escritórios de advogados que prestaram serviços à Fecomércio-RJ, ao Sesc e ao Senac, entre eles o de Zanin, que virou réu. A acusação se baseava na delação de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio. Zanin disse que a operação era retaliação à defesa de Lula, e a OAB a classificou como criminalização da advocacia. Em agosto de 2021, a Segunda Turma do STF declarou a Justiça Federal incompetente e anulou as buscas. Em abril de 2022, a Justiça do Rio anulou a delação e trancou a ação contra os advogados. Coordenação da campanha e transição (2022) Zanin participou da coordenação jurídica da campanha de Lula em 2022 e integrou o grupo técnico de Justiça e Segurança Pública da transição de governo, onde foi responsável pelo relatório sobre cooperação judiciária internacional e sobre a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla). Apesar da proximidade com Lula, nunca foi filiado a partido. Segundo a Wikipédia, na época da faculdade era descrito como alguém de direita, e, quando foi indicado ao STF, parte da imprensa o via como um conservador moderado. Em janeiro de 2023, foi hostilizado e ameaçado num banheiro do aeroporto de Brasília por um homem que filmou a cena; o autor foi indiciado por ameaça, injúria e incitação ao crime. Indicação ao STF (2023) Lula o indicou em 1º de junho de 2023 para a vaga de Ricardo Lewandowski. A escolha de um advogado pessoal do presidente foi criticada pela oposição e por parte dos apoiadores do governo. Em compensação, recebeu o apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e de ministros do próprio STF. Luís Roberto Barroso disse não ver "nenhum conflito ético, nem moral, nem violação da impessoalidade"; Cármen Lúcia afirmou que ele cumpria os requisitos de notável saber jurídico e reputação ilibada; e Gilmar Mendes o chamou de "ótimo advogado" que "muitas vezes foi incompreendido". Na sabatina de 21 de junho de 2023, o senador Sergio Moro fez 14 perguntas, recorde da sessão. Zanin disse que não julgaria casos em que atuou como advogado. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o nome por 21 votos a 5 e, no mesmo dia, o plenário do Senado o aprovou por 58 votos a 18. A nomeação saiu no Diário Oficial da União em 5 de julho, e a posse foi em 3 de agosto de 2023. Votos no STF Os primeiros votos surpreenderam aliados de Lula. Zanin votou contra a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal e, por questão processual, contra a equiparação da homofobia à injúria racial; foi vencido nos dois casos. Em agosto de 2023, os votos foram alvo de críticas da esquerda, e a primeira-dama Janja reagiu a um meme sobre o tema. Marco temporal Em agosto de 2023, Zanin votou contra a tese do marco temporal, que limita a demarcação de terras indígenas às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988. Quando o Congresso aprovou lei para restabelecer a tese, ele acompanhou o relator Gilmar Mendes e Flávio Dino, em dezembro de 2025, pela inconstitucionalidade da norma, e o STF formou maioria para derrubá-la. Moro no banco dos réus Como ministro, Zanin passou a julgar o antigo adversário. Na Primeira Turma, acompanhou a relatora Cármen Lúcia e votou para receber a denúncia da PGR contra o senador Sergio Moro por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. A acusação se baseia num vídeo de 2023 em que Moro, numa festa junina, brinca sobre "comprar um habeas corpus" de Gilmar. Zanin não se declarou impedido, o que foi lembrado por críticos. Os embargos de Moro contra o recebimento da denúncia foram pautados para outubro de 2025. Julgamento da trama golpista (2025) Zanin presidia a Primeira Turma quando ela condenou, em 11 de setembro de 2025, Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e 3 meses. Zanin votou pela condenação. Flávio Dino o sucedeu na presidência da Turma em setembro de 2025. Outros julgamentos (2026) Em 27 de março de 2026, num habeas corpus, Zanin anulou a condenação do ex-governador do Rio Anthony Garotinho na Operação Chequinho, que somava 13 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por corrupção eleitoral e outros crimes. O ministro aceitou o argumento da defesa de que as provas extraídas de computadores da Secretaria de Desenvolvimento Humano de Campos dos Goytacazes (RJ) foram obtidas sem perícia técnica, o que rompeu a cadeia de custódia. A anulação foi estendida a outros réus do caso. Em 16 de junho de 2026, Zanin acompanhou o relator Alexandre de Moraes, assim como Cármen Lúcia e Flávio Dino, na condenação unânime do ex-deputado Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, por coação no curso do processo. Segundo a acusação, Eduardo articulou nos Estados Unidos sanções contra ministros do STF durante o julgamento da trama golpista. A condenação o tornou inelegível. Em setembro, a Primeira Turma formou maioria para manter a decisão. Caso Master no STF (2026) Em 2026, com a crise aberta no tribunal pelas relações de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Zanin cobrou da Polícia Federal a cópia integral dos dados do celular de Vorcaro, entregue em 14 de setembro, para "formar convicção". Em 23 de setembro, negou liminar ao senador Alessandro Vieira para obrigar Davi Alcolumbre a instalar a CPI do Master, como já havia feito em março num pedido semelhante dirigido à Câmara. Prorrogação da votação no segundo turno (2026) Em 25 de outubro de 2026, dia do segundo turno, a campanha de Lula pediu ao STF a prorrogação da votação por causa da falta de ônibus em cidades da Bahia e de São Paulo; a campanha de Flávio Bolsonaro havia pedido ao TSE a ampliação em três estados por causa das chuvas. Minutos depois de sorteado relator, Zanin estendeu a votação até as 19h em todo o país. A decisão chegou a muitos tribunais regionais depois das 17h, quando parte das urnas já estava fechada, e o TSE suspendeu a totalização. Zanin esclareceu depois que a medida valia só para as seções ainda abertas. Segundo o TSE, 34,3 mil votos foram registrados após as 17h. Segundo O Globo, a campanha de Lula acionou primeiro o TSE, antes das 14h. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, só despachou às 16h06, abrindo 30 minutos para manifestações, e não decidiu antes do horário de encerramento. Foi essa demora que levou o PT a recorrer em paralelo ao STF. A colunista Malu Gaspar relatou que ministros do TSE ficaram irritados com a decisão tomada a meia hora do fim da votação e que o episódio reacendeu o atrito entre os dois tribunais. A decisão saiu com parte das urnas já fechadas e gerou confusão em seções de vários estados, segundo O Povo e Metrópoles. Juristas ouvidos pelo O Globo classificaram a situação como desafio inédito, e o advogado eleitoral consultado pelo Poder360 criticou a medida, mas disse não ver risco de terceiro turno. A repercussão foi internacional: o advogado Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble, falou em "manipulação descarada" e lembrou que Zanin foi advogado de Lula. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, falou em "intervenção" do STF. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, 4,4 milhões a mais que Flávio Bolsonaro, que não reconheceu o resultado e anunciou pedido de anulação citando a decisão de Zanin. Os senadores eleitos Marcel van Hattem e Deltan Dallagnol acusaram interferência; o senador José Medeiros protocolou pedido de impeachment no Senado. Ministros do TSE e do STF avaliaram, sob reserva, que a contestação não deve prosperar. Até 29 de outubro de 2026, não havia decisão sobre o pedido de anulação nem sobre o impeachment. Perfil como ministro A trajetória no Supremo combina votos considerados conservadores em pautas de costumes com alinhamento à maioria nos casos ligados ao 8 de janeiro e à trama golpista. Para críticos, a proximidade pessoal com Lula, de quem foi advogado e afilhado de casamento, compromete a imagem de imparcialidade, crítica que voltou com força na eleição de 2026. Para defensores, a vitória na Lava Jato, reconhecida pelo plenário do STF, mostrou que a tese de parcialidade de Moro tinha fundamento. Livros É coautor, com Valeska Martins e Rafael Valim, de "O Caso Lula" (2016) e de "Lawfare: uma introdução" (2019), publicado também em espanhol e, em 2021, em inglês pela Routledge. Vida pessoal Zanin é católico e torcedor do São Paulo Futebol Clube. Linha do tempo 1975: nasce em Piracicaba (SP), em 15 de novembro. 1999: forma-se em direito pela PUC-SP. 2000: começa a advogar no escritório Arruda Alvim. 2004: torna-se sócio do Teixeira Martins Advogados. 2013: passa a advogar para a família de Lula. 2017: funda o Instituto Lawfare. 2020: é alvo da Operação E$quema S. 2021: o STF anula as condenações de Lula e declara Moro parcial. 2023: é aprovado pelo Senado e toma posse no STF. 2025: preside a Primeira Turma no julgamento que condena Bolsonaro. 2026: prorroga a votação do segundo turno e vira alvo de pedidos de impeachment.
Carreira

Trajetória

  1. 2024 — 2025
    Presidente da Primeira Turma do STF

    Presidiu o julgamento da trama golpista; sucedido por Flávio Dino.

  2. 2023 — atual
    Ministro do STF

    Posse em 3 de agosto de 2023.

  3. 2022 — 2022
    Coordenação jurídica da campanha de Lula

    Eleição presidencial.

  4. 2022 — 2022
    Grupo técnico de Justiça e Segurança da transição

    Relatório de cooperação jurídica internacional e Enccla.

  5. 2022 — 2023
    Escritório próprio com Valeska Martins

    Aberto em 2022.

  6. 2017 — atual
    Fundador do Instituto Lawfare

    Estudo do uso estratégico do direito.

  7. 2013 — 2022
    Advogado da família de Lula

    Defesa de Lula na Lava Jato a partir de 2016.

  8. 2004 — 2022
    Sócio do Teixeira Martins Advogados

    Direito empresarial, recuperações e falências.

  9. 2000 — atual
    Professor da Fadisp

    Direito civil e processual civil.

  10. 2000 — 2004
    Advogado do escritório Arruda Alvim

    Onde fora estagiário.

Projetos e Realizações

Iniciativas

Caso2021
Defesa de Lula na Lava Jato
HC da suspeição de Moro

A Segunda Turma do STF declarou Moro parcial em 23/03/2021.

Livro2019
Lawfare: uma introdução
Contracorrente

Coautoria com Valeska Martins e Rafael Valim; edição em inglês pela Routledge em 2021.

Livro2016
O Caso Lula
Contracorrente

Obra coletiva coordenada com Valeska Martins e Rafael Valim.

Instituição2017
Instituto Lawfare
Centro de estudos

Fundado em 2017.

Caso2005
Recuperação judicial da Varig
Direito empresarial

Caso de grande repercussão da carreira de advogado.

Decisão2026
Prorrogação da votação no segundo turno
Liminar no STF

Votação até as 19h nas seções abertas em 25/10/2026.

Na imprensa

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Vídeos

Aparições em vídeo

Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Cristiano Zanin?

Cristiano Zanin é ministro do STF desde agosto de 2023, indicado por Lula. Antes, foi advogado do presidente nos processos da Lava Jato.

Qual a idade de Cristiano Zanin?

Ele nasceu em 15 de novembro de 1975, em Piracicaba (SP), e tem 50 anos.

Onde Cristiano Zanin se formou?

Formou-se em direito pela PUC-SP em 1999 e fez especialização em direito processual civil na mesma universidade.

Quem indicou Cristiano Zanin ao STF?

O presidente Lula, em 1º de junho de 2023, para a vaga de Ricardo Lewandowski. O Senado aprovou o nome por 58 votos a 18.

Cristiano Zanin foi advogado de Lula?

Sim. Advogou para a família de Lula desde 2013 e liderou a defesa na Lava Jato, que levou o STF a declarar Moro parcial em 2021.

Quem é a esposa de Cristiano Zanin?

É a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins, filha de Roberto Teixeira. Estão casados desde 2004 e têm três filhos.

Por que Zanin prorrogou a votação em 2026?

A campanha de Lula pediu a prorrogação por falta de ônibus em cidades da Bahia e de São Paulo. Zanin estendeu a votação até as 19h e depois esclareceu que valia só para seções ainda abertas.

A eleição de 2026 pode ser anulada por causa de Zanin?

Flávio Bolsonaro anunciou pedido de anulação. Ministros do TSE e do STF avaliaram, sob reserva, que não deve prosperar, pois foram 34,3 mil votos após as 17h e a diferença foi de 4,4 milhões.

Cristiano Zanin sofreu pedido de impeachment?

Sim. Em outubro de 2026, o senador José Medeiros protocolou pedido no Senado, e outros parlamentares da oposição anunciaram pedidos semelhantes.

Qual turma do STF Cristiano Zanin integra?

A Primeira Turma, que ele presidia em setembro de 2025, quando Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe.

Qual a religião de Cristiano Zanin?

Ele é católico.

Zanin votou a favor da descriminalização da maconha?

Não. Votou contra a descriminalização do porte para uso pessoal e foi vencido.

Cristiano Zanin foi réu?

Foi réu na Operação E$quema S, da Lava Jato do Rio, em 2020. O STF anulou a operação em 2021, e a Justiça do Rio trancou a ação em 2022.

Qual time Cristiano Zanin torce?

É torcedor do São Paulo Futebol Clube.

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