Foto oficial de Pedro Moreira Salles

Pedro Moreira Salles

Banqueiro, copresidente do conselho do Itaú Unibanco

Em exercício desde 1985
Biografia

Resumo biográfico

Pedro Moreira Salles é um banqueiro e empresário brasileiro, copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, o maior banco privado do país, ao lado de Roberto Setubal. Filho do banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles, fundador do Unibanco, comandou o banco da família e conduziu, em 2008, a fusão com o Itaú, que uniu as famílias Moreira Salles e Setubal. Tem 67 anos e, segundo a lista de bilionários da Forbes Brasil de 2026, é o sexto brasileiro mais rico, com patrimônio estimado em R$ 46,6 bilhões, ante R$ 38 bilhões e o sétimo lugar no ano anterior. Além do Itaú, preside os conselhos da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) e da Companhia E. Johnston de Participações, holding da família, e é sócio copresidente da gestora Cambuhy Investimentos. Entre 2017 e 2022, presidiu o conselho diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), período em que a entidade entrou em choque com o governo Jair Bolsonaro por causa de um manifesto em defesa da harmonia entre os Poderes. Em 2026, deixou a presidência do conselho da Alpargatas, dona da Havaianas, para dar aulas como professor adjunto na Universidade Columbia, em Nova York. Origem e formação Pedro Moreira Salles nasceu em Washington, nos Estados Unidos, em 1959, quando o pai era embaixador do Brasil no país, segundo o memorial biográfico da Itaúsa. É o segundo filho de Walther e Elisa Moreira Salles. É irmão do empresário e escritor Fernando Moreira Salles, do cineasta Walter Salles e do documentarista João Moreira Salles, fundador da revista piauí. Passou parte da infância na França, entre 1964 e 1968, e foi alfabetizado em francês no colégio Saint-Louis de Gonzague, em Paris. De volta ao Rio de Janeiro, estudou no Liceu Franco-Brasileiro, em Laranjeiras. Aos 17 anos, em 1977, entrou em economia na PUC-Rio. Um ano depois, acompanhou o pai numa viagem pelos Estados Unidos para conhecer universidades e decidiu se transferir para a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde se formou magna cum laude em economia e história em 1981. Em seguida, começou o mestrado em relações internacionais na Universidade Yale, onde estudou com o brasilianista Albert Fishlow e teve contato com Juan Linz, referência nos estudos sobre democracia. Não concluiu o curso. Também fez o Owner/President Management Program, da Universidade Harvard. Volta ao Brasil e negócios da família Em 1982, numa visita ao Brasil, envolveu-se nas campanhas da redemocratização e decidiu ficar. Em 1983, começou a trabalhar na Brasilpar, empresa da qual a família era acionista, mas ficou pouco tempo: no mesmo ano, mudou-se para a Fazenda Cambuhy, em Matão, no interior paulista, para reformular a gestão do agronegócio da família. Em 1985, segundo a Forbes Brasil, voltou a São Paulo para cuidar da holding Brasil Warrant ao lado do irmão Fernando. O patrimônio da família já ia além do Unibanco e incluía participações na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), na Aracruz Celulose e no Club Med. Unibanco Em 1989, Pedro entrou no conselho de administração do Unibanco e levou ao banco o economista Pérsio Arida, como economista-chefe e conselheiro, e André Lara Resende, como vice-presidente da área internacional e do banco de investimentos, segundo a Itaúsa. O banco atravessou a estabilização do Plano Real, em 1994, que acabou com o chamado lucro inflacionário e obrigou os bancos a cortar custos e crescer no crédito. "Há um sistema financeiro pré-real e um sistema financeiro pós-real", disse ele ao Estadão em 2024, nos 30 anos do plano. "Ninguém sabia dar crédito, porque a inflação estava presente de forma doentia na economia havia 15 anos." Em 1995, coordenou a compra da parte saudável do Banco Nacional, depois da intervenção do Banco Central. O Nacional, um dos maiores bancos do país, tinha o balanço inflado por uma fraude, numa das quebras bancárias mais rumorosas após o Real. A operação se tornou um dos marcos da consolidação do setor e também uma fonte de polêmica por décadas. Em novembro de 2006, como presidente executivo do Unibanco, Pedro negou que o banco estivesse comprando a chamada "fatia podre" do Nacional. "O que nós fizemos foi facilitar o entendimento entre as partes", disse, ao explicar que o Unibanco atuava como credor na liquidação, que se arrastava havia mais de dez anos, e classificou o interesse pelo caso como "assunto midiático". O Unibanco comprou ainda o Bandeirantes, em 2000, disputou sem sucesso os leilões do Banestado e do Banespa no mesmo ano e tentou comprar o Banco Real em 1998. Pedro presidiu o conselho de administração do Unibanco de 1997 a 2004. Em 2004, assumiu como presidente executivo do banco, cargo que ocupou até 2008. Fusão com o Itaú Em novembro de 2008, em plena crise financeira global, Itaú e Unibanco anunciaram a fusão que criou o maior banco privado do Brasil. Pedro negociou pessoalmente com Roberto Setubal. As conversas duraram 15 meses, desde o início da crise do subprime, e o acordo foi selado num domingo à noite, segundo O Globo (03/11/2008). Somados, Itaú e Unibanco tinham R$ 575 bilhões em ativos, mais que o Banco do Brasil. À Folha de S.Paulo (04/11/2008), Pedro disse que a compra do Real pelo Santander acelerou a decisão e que tinha recusado outras propostas pelo Unibanco por não concordar com o modelo dos interessados e que "o mundo de hoje exige plataformas globais". A operação aproximou duas famílias que por décadas tinham sido concorrentes: os Moreira Salles e os Setubal. O controle passou a ser exercido pela holding IUPAR (Itaú Unibanco Participações), dividida entre a Itaúsa, dos Setubal e Villela, e a E. Johnston, dos Moreira Salles. Desde 2009, Pedro preside o conselho de administração do Itaú Unibanco. Em 2017, passou a dividir a copresidência com Roberto Setubal, arranjo que, segundo a Forbes Brasil, simboliza a natureza da fusão: não a absorção de uma família pela outra, mas uma nova arquitetura de poder construída sobre os dois grupos. Em 2024, o Itaú Unibanco completou 100 anos, contados desde a fundação do Itaú. No Itaú Day de setembro de 2025, ele disse ao Valor Econômico: "É uma ousadia chegar aos cem anos num país como o Brasil". Em julho de 2025, em entrevista ao O Globo com Setubal, afirmou que a inteligência artificial terá impacto maior do que se imaginava sobre os bancos. Bancos digitais e transformação do Itaú Em setembro de 2022, num evento do banco, Pedro e Roberto Setubal avaliaram que a alta dos juros tinha deixado a competição entre bancos tradicionais e fintechs "mais equilibrada", porque encareceu o capital das empresas digitais, segundo a Folha de S.Paulo (01/09/2022). No Itaú Day de junho de 2023, Pedro disse que os novos concorrentes tomaram os bancos tradicionais como "vidraça" e que não acredita na tese de que os bancos estabelecidos representam o passado, segundo o Estadão (15/06/2023). Todos pela Saúde Em abril de 2020, no começo da pandemia de covid-19, o Itaú Unibanco anunciou a doação de R$ 1 bilhão para criar o Todos pela Saúde, administrado por especialistas liderados pelo médico Paulo Chapchap, do Hospital Sírio-Libanês. Era a maior iniciativa filantrópica conhecida no país, segundo o Estadão (12/04/2020). "Nessa hora de verdadeira crise humanitária, achamos que essa iniciativa é um dever", disse Pedro. Em maio, a família Moreira Salles doou mais R$ 100 milhões, e a Itaúsa e as famílias Villela e Setubal, outros R$ 100 milhões, segundo comunicado do banco. Em fevereiro de 2021, a iniciativa deu origem ao Instituto Todos pela Saúde, voltado à vigilância de epidemias, de cujo conselho Pedro faz parte. Febraban e o manifesto de 2021 Pedro assumiu em 2017 a presidência do conselho diretor da Febraban. Em agosto de 2021, a entidade se preparava para assinar um manifesto da Fiesp pela pacificação entre os Poderes, num momento de ataques do presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, bancos públicos, ameaçaram deixar a federação se ela aderisse. Segundo O Globo, Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, deram aval à saída dos dois bancos. O manifesto acabou publicado em setembro sem a assinatura da Febraban, que divulgou nota própria em defesa da democracia. Em 30 de março de 2022, Pedro deixou a presidência do conselho da Febraban, um ano antes do fim do mandato, e foi substituído por Octavio de Lazari Jr., do Bradesco. A coluna de Lauro Jardim, no O Globo, relatou que parte dos banqueiros do conselho considerava a postura dele "mais agressiva do que o setor pedia" e defendia que a federação não tomasse posições políticas. Em julho de 2022, Pedro e Roberto Setubal assinaram a "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito", organizada pela Faculdade de Direito da USP e lida em 11 de agosto no Largo de São Francisco, segundo o Valor Econômico. Reorganização da família e patrimônio Em fevereiro de 2022, a família anunciou a saída dos irmãos Walter e João Moreira Salles do quadro de acionistas do Itaú. Pedro e Fernando compraram as participações dos dois na E. Johnston, a holding pela qual a família detém sua parte na IUPAR. Pedro passou a ter 44% da E. Johnston, e Fernando, 50%. Segundo a Folha de S.Paulo, a mudança não alterou a participação da família no controle do banco nem a governança do Itaú. A E. Johnston tem cerca de um terço das ações do Itaú Unibanco, segundo a Forbes Brasil. Na lista da Forbes Brasil de 2026, Pedro aparece em sexto lugar, com R$ 46,6 bilhões. Segundo o g1 (28/08/2026), foi o único dos que permaneceram entre os dez mais ricos a subir de posição, do sétimo para o sexto lugar; o irmão Fernando manteve o quinto lugar, com R$ 50,3 bilhões. Segundo a Bloomberg Línea, os Moreira Salles formam a família mais rica do Brasil. Alpargatas e Columbia Em 2017, os Moreira Salles e a Itaúsa compraram juntos o controle da Alpargatas, dona da Havaianas, e Pedro passou a presidir o conselho da empresa. Em 28 de janeiro de 2026, renunciou ao cargo por "conflitos de agenda" com as atividades acadêmicas que passaria a exercer ao longo do ano como professor adjunto da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, onde passaria a morar. João Moreira Salles, que já era conselheiro da empresa, foi eleito para a presidência do conselho, com Rodolfo Villela Marino como vice, segundo o Valor Econômico. Outros cargos e atuação institucional Pedro é presidente do conselho da CBMM e vice-presidente do conselho da Brasil Warrant. Já foi conselheiro da Totvs e da consultoria Falconi. Segundo a Itaúsa, preside o conselho do Instituto Unibanco, que desenvolve soluções de gestão para escolas públicas, integra o conselho deliberativo do Insper e o conselho orientador da Osesp e é conselheiro do Instituto Todos pela Saúde e do Instituto Moreira Salles. É defensor do ajuste fiscal e de reformas estruturais: no aniversário de 30 anos do Plano Real, disse que o país viveu "um momento extraordinário", mas ainda tem "reformas inacabadas". Vida pessoal É casado desde 1979 e tem dois filhos. Em 2026, os irmãos João e Walter Moreira Salles se opuseram publicamente à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, segundo a Bloomberg Línea; Pedro não se manifestou publicamente sobre a eleição. Linha do tempo 1959: nasce em Washington. 1977: entra em economia na PUC-Rio. 1981: forma-se em economia e história pela UCLA. 1983: assume a gestão da Fazenda Cambuhy, em Matão (SP). 1985: passa a cuidar da holding Brasil Warrant com o irmão Fernando. 1989: entra no conselho do Unibanco. 1995: coordena a compra da parte saudável do Banco Nacional. 1997: assume a presidência do conselho do Unibanco. 2004: torna-se presidente executivo do Unibanco. 2008: fusão com o Itaú cria o Itaú Unibanco. 2009: assume a presidência do conselho do Itaú Unibanco. 2017: passa a dividir a copresidência com Roberto Setubal; assume o conselho da Febraban; compra da Alpargatas. 2021: crise do manifesto na Febraban. 2022: deixa a Febraban; reorganização da E. Johnston. 2026: deixa o conselho da Alpargatas e vai lecionar na Universidade Columbia; aparece como 6º mais rico do Brasil.
Carreira

Trajetória

  1. 2026 — atual
    Professor adjunto da Universidade Columbia

    Atividade acadêmica nos Estados Unidos.

  2. 2017 — 2026
    Presidente do conselho da Alpargatas

    Renunciou em janeiro de 2026.

  3. 2017 — 2022
    Presidente do conselho diretor da Febraban

    Deixou o cargo em março de 2022, um ano antes do fim do mandato.

  4. 2009 — atual
    Presidente do conselho do Itaú Unibanco

    Cargo dividido com Roberto Setubal a partir de 2017.

  5. 2004 — 2008
    Presidente executivo do Unibanco

    Conduziu a fusão com o Itaú.

  6. 1997 — 2004
    Presidente do conselho do Unibanco

    Coordenou a compra da parte saudável do Banco Nacional em 1995.

  7. 1989 — 1997
    Conselheiro do Unibanco

    Entrou no conselho de administração do banco.

  8. 1985 — atual
    Administrador da holding Brasil Warrant

    Com o irmão Fernando Moreira Salles.

  9. 1983 — 1983
    Funcionário da Brasilpar

    Primeiro trabalho, numa empresa da qual a família era acionista (Itaúsa).

  10. 1983 — 1985
    Gestor da Fazenda Cambuhy

    Reformulou a gestão do agronegócio da família em Matão (SP).

Projetos e Realizações

Iniciativas

Negócio1995
Compra do Banco Nacional
Unibanco

Aquisição da parte saudável do banco após a intervenção do Banco Central.

Negócio2000
Compra do Bandeirantes
Unibanco

Aquisição do banco na consolidação pós-Real.

Negócio2008
Fusão Itaú Unibanco
Maior banco privado do Brasil

União das famílias Moreira Salles e Setubal.

Negócio2017
Alpargatas
Dona da Havaianas

Compra do controle com a Itaúsa.

Negócio2022
Reorganização da E. Johnston
Holding da família

Compra das participações dos irmãos Walter e João.

Causa2022
Carta pela democracia
Faculdade de Direito da USP

Assinou com Roberto Setubal e Candido Bracher a carta lida no Largo de São Francisco.

Na imprensa

Notícias de outros portais

03 de nov. de 2008

Itaú e Unibanco anunciam fusão de operações

Itaú e Unibanco anunciam a fusão que cria o maior banco do Hemisfério Sul, depois de 15 meses de conversas. Pedro Moreira Salles será o presidente do conselho, e Roberto Setubal, o presidente executivo.

Fonte: O Globo

Causas

Causas e valores defendidos

Educação

Integra o conselho deliberativo do Insper e a Fundação Estudar, onde já participou de encontros com jovens.

Democracia

Assinou a carta em defesa da democracia de 2022.

Vídeos

Aparições em vídeo

Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Pedro Moreira Salles?

É banqueiro e empresário, copresidente do conselho do Itaú Unibanco ao lado de Roberto Setubal. Comandou o Unibanco e conduziu a fusão com o Itaú em 2008.

Quantos anos tem Pedro Moreira Salles?

Pedro Moreira Salles tem 67 anos. Nasceu em Washington, nos Estados Unidos, em 1959.

Qual é a fortuna de Pedro Moreira Salles?

Segundo a Forbes Brasil de 2026, R$ 46,6 bilhões, o que o coloca como o sexto brasileiro mais rico.

Pedro Moreira Salles é dono do Itaú?

É um dos controladores: a família detém sua fatia por meio da E. Johnston, que divide o controle da holding IUPAR com a Itaúsa, dos Setubal e Villela. Pedro tem 44% da E. Johnston.

Onde Pedro Moreira Salles nasceu?

Em Washington, nos Estados Unidos, onde o pai, Walther Moreira Salles, era embaixador do Brasil.

Quem é o pai de Pedro Moreira Salles?

Walther Moreira Salles, banqueiro e diplomata que fundou o Unibanco.

Quem são os irmãos de Pedro Moreira Salles?

Fernando Moreira Salles, presidente do conselho da CBMM, o cineasta Walter Salles e o documentarista João Moreira Salles.

Qual é a formação de Pedro Moreira Salles?

Formou-se em economia e história pela UCLA, começou o mestrado em relações internacionais em Yale, sem concluir, e fez o Owner/President Management Program, de Harvard.

Pedro Moreira Salles é casado?

Sim. É casado desde 1979 e tem dois filhos.

Por que Pedro Moreira Salles saiu da Alpargatas?

Renunciou à presidência do conselho em janeiro de 2026 para dar aulas como professor adjunto na Universidade Columbia, nos Estados Unidos.

Por que Pedro Moreira Salles deixou a Febraban?

Saiu em março de 2022, um ano antes do fim do mandato. Parte dos banqueiros achava sua postura política agressiva demais desde a crise do manifesto de 2021.

O que aconteceu no manifesto da Febraban em 2021?

Caixa e Banco do Brasil ameaçaram deixar a federação se ela assinasse o manifesto da Fiesp pela harmonia entre os Poderes. A Febraban não assinou e divulgou nota própria.

Quais empresas Pedro Moreira Salles comanda?

Copreside o conselho do Itaú Unibanco, preside os conselhos da CBMM e da E. Johnston e é sócio copresidente da Cambuhy Investimentos.

O que o Unibanco comprou do Banco Nacional?

Em 1995, a parte saudável do Nacional, após a intervenção do Banco Central. Pedro coordenou a compra.

O que aconteceu com Pedro Moreira Salles?

Em 2026, deixou a presidência do conselho da Alpargatas e foi morar nos Estados Unidos para dar aulas como professor adjunto na Universidade Columbia. Segue como copresidente do conselho do Itaú Unibanco.

Perfis relacionados

Outros perfis