Foto oficial de Luiz Carlos Trabuco Cappi

Luiz Carlos Trabuco Cappi

Banqueiro, presidente do conselho de administração do Bradesco

Em exercício desde 2017
Biografia

Resumo biográfico

Luiz Carlos Trabuco Cappi é um banqueiro paulista, presidente do conselho de administração do Bradesco desde outubro de 2017. Funcionário de carreira, entrou no banco aos 17 anos como escriturário e foi presidente executivo de 2009 a 2018, período em que comandou a compra do HSBC no Brasil, a maior aquisição da história do Bradesco. Também presidiu o Conselho Diretor da Febraban de março de 2024 a abril de 2026. Trabuco tem 75 anos. Em 2016, foi indiciado pela Polícia Federal e virou réu na Operação Zelotes, mas a ação penal contra ele foi trancada por falta de justa causa, decisão mantida pelo STJ em 2018. Origem e formação Nasceu em 6 de outubro de 1951, em Marília, no interior de São Paulo, a mesma cidade onde o Bradesco foi fundado, em 1943. Aos 12 anos, foi auxiliar de tecelão numa fábrica da cidade, experiência que, segundo ele, lhe deu "conhecimento de fábrica e de viver relações contraditórias". Na época, lia com dois ou três dias de atraso o Estadão que o patrão jogava no lixo: "Ler jornal na década de 1960, em uma cidade como Marília, era um diferencial. E isso mudou minha vida". Entrou no Bradesco ainda em Marília, em 1969: "Iria ser bancário. Tinha que usar gravata, viver arrumadinho. Mudei de patamar". Diz ter orgulho de ter sido caixa, função em que aprendeu o relacionamento com os clientes. É formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e tem pós-graduação em sociopsicologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Um perfil da Forbes de 2016 registra outra versão, a de que se formou em ciências sociais na Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília, depois incorporada à Unesp. Ele conta que a formação acadêmica, diferente da de seus colegas, acabou sendo um complemento à carreira no banco. Carreira no Bradesco Começou no Bradesco aos 17 anos, como escriturário, e, depois de 15 anos em diferentes cargos, passou pelo Banco Bradesco de Investimentos, num período de corrida às ações e aberturas de capital, e pela Fundação Bradesco, até chegar à diretoria de marketing, onde ficou oito anos, modernizou a comunicação do banco e aproximou a instituição da imprensa. Em 1992, assumiu a presidência da Bradesco Vida e Previdência, empresa de previdência privada do conglomerado, que comandou até 1998. Em 1998, foi eleito diretor-gerente e, um ano depois, vice-presidente executivo. A partir de 2003, presidiu também a Bradesco Seguros, que mais que dobrou de tamanho, chegou a cerca de 25% do mercado e se tornou a maior seguradora da América Latina. A Bradesco Seguros reunia outras oito empresas, como a Bradesco Capitalização, a Bradesco Saúde e a Bradesco Vida e Previdência, e sua participação no resultado do grupo passou de 25% para 35%. Foi nesse período que a seguradora patrocinou por 20 anos seguidos a Árvore de Natal da Lagoa, no Rio de Janeiro, uma das maiores ações de marketing do grupo. Também coordenou o lançamento de ADRs do banco na Bolsa de Nova York. Ao longo da carreira no setor de seguros, presidiu a Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp) e a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), e foi eleito Personalidade de Seguros do Ano em 2006 e 2007. Em 2009, tornou-se o quarto presidente do Bradesco desde a morte do fundador, Amador Aguiar, em 1991, sucedendo Márcio Cypriano. Assumiu num momento difícil: quatro meses antes da posse, a fusão de Itaú e Unibanco tirou do Bradesco a liderança entre os bancos privados, que durava 47 anos. "A liderança não é uma obsessão", passou a responder. Em entrevista ao Estadão em 2010, disse que o objetivo era "reduzir a distância entre a gente e o banco que tem a liderança neste momento". A aposta foi usar a presença do banco em todos os municípios do país para atrair a classe média emergente, e uma das primeiras medidas foi recriar as diretorias regionais, 15 naquele momento, para acompanhar de perto a clientela fora de São Paulo. Ele projetava que o sistema bancário chegaria a 220 milhões de contas correntes em 2020, contra cerca de 130 milhões em 2010, e queria manter a fatia de 20% do Bradesco onde já era forte. Em novembro de 2009, numa agência na favela de Heliópolis, em São Paulo, disse à Folha que o Brasil viveria na década seguinte uma inclusão social parecida com a dos Estados Unidos um século antes e que "a consolidação bancária acabou. Daqui para a frente, a disputa será em segmentos". Sobre a crise de 2008, afirmou que "o crédito é calibrado pela demanda" e que as crises "agora são mais intensas, mas passam com mais rapidez do que em outras épocas". Em agosto de 2015, liderou a compra da operação brasileira do HSBC por US$ 5,2 bilhões (R$ 17,6 bilhões), acima dos R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões esperados pelo mercado. O HSBC, sexto maior banco do país em ativos, tinha cerca de 10 milhões de clientes e 853 agências e vendia a filial como parte de uma reestruturação global. O banco britânico tinha chegado ao Brasil em 1997, ao comprar o antigo Bamerindus. Segundo a Folhapress, a compra diminuiu a diferença do Bradesco para o Itaú, o maior banco privado do país. "Teremos grande crescimento de rede de agências nas regiões Sul e Sudeste do país, onde tínhamos um gap em relação aos nossos rivais", disse Trabuco. As ações do Bradesco caíram no dia do anúncio, mas analistas consideraram o negócio estratégico. Foi o maior negócio do ano no país, e Trabuco foi eleito Empreendedor do Ano em finanças pela IstoÉ Dinheiro. Em 2016, a Forbes o incluiu entre os melhores CEOs do Brasil. Na entrevista à revista, em plena recessão, disse que "não é época de sorrisos, é época de Mona Lisa" e que o país "ainda é objeto de desejo dos investidores". O Bradesco tinha lucrado R$ 17,19 bilhões em 2015. Em 2013, criou a Unibrad, universidade corporativa eleita a melhor do mundo no Global CCU Awards de 2017. Em outubro de 2017, foi nomeado presidente do conselho de administração, no lugar de Lázaro de Mello Brandão, e se tornou o terceiro a ocupar o cargo, depois de Amador Aguiar e Brandão. Por alguns meses, acumulou os dois cargos. Em março de 2018, deixou a presidência executiva para Octavio de Lazari Junior. Em novembro de 2023, como presidente do conselho, conduziu a troca de Lazari por Marcelo Noronha, num momento que chamou de "absolutamente desafiador, do ponto de vista da eficiência operacional, aumento da competitividade e ambiente regulatório". Disse que cada geração de executivos tem seu "momento de maturação, ritos de passagem e patrimônios acumulados como legado". Em 2026, como presidente dos conselhos do Bradesco e da Odontoprev, conduziu a criação da Bradsaúde, que reúne as operações de saúde do grupo e substituirá a Odontoprev na B3 no que ele chamou de maior IPO reverso da história do país. "A Bradsaúde nasce de capital aberto, no Novo Mercado e com escala", disse. Anunciada em 27 de fevereiro, a empresa junta Bradesco Saúde, Odontoprev, Atlântica Hospitais e outras participações, com faturamento de R$ 52 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários e cerca de 3.600 leitos. Noronha estimou o valor de mercado entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões. O Bradesco, que tinha cerca de 53% da Odontoprev, ficará com 91,35% da nova companhia. A nova empresa reúne ainda as participações do banco no Grupo Fleury, na rede de clínicas Meu Doutor Novamed e na empresa de tecnologia Orizon, com 3,9 milhões de beneficiários em planos de saúde, 9,3 milhões em planos odontológicos e 40 mil corretores. O código de negociação passou a ser SAUD3, e a mudança de ticker foi concluída em outubro de 2026. Em entrevista em abril, Trabuco defendeu a saúde suplementar como complemento ao SUS, que chamou de "modelo para o mundo". Em março de 2026, o banco renovou o conselho com a entrada de Ivan Gontijo, Regina Nunes e Paulo Caffarelli. No primeiro trimestre de 2026, o Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 6,81 bilhões, alta de 16,1% em um ano e o nono trimestre seguido de crescimento, enquanto o Sindicato dos Bancários de São Paulo apontava o fechamento de mais de 3 mil postos de trabalho em doze meses. Operação Zelotes Em 31 de maio de 2016, a Polícia Federal indiciou Trabuco e outras nove pessoas na Operação Zelotes, sob suspeita de negociar o perdão de um passivo de R$ 3 bilhões com um escritório acusado de vender facilidades no Carf, que investigava a compra de decisões no Carf, o tribunal administrativo da Receita. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, membros da diretoria e do conselho do Bradesco, com conhecimento do então presidente, teriam prometido vantagens a servidores para interferir em um processo fiscal de cerca de R$ 3 bilhões. Em julho de 2016, a Justiça Federal em Brasília aceitou a denúncia, e ele virou réu. O Bradesco afirmou que nenhuma ilegalidade foi praticada por seus representantes e que nenhum acordo foi firmado, tanto que o recurso do banco contra a multa foi rejeitado no Carf por 6 votos a 0. Em 2017, a Quarta Turma do TRF-1 concedeu habeas corpus e trancou a ação penal contra ele por falta de justa causa. Em agosto de 2018, a Sexta Turma do STJ manteve o trancamento por unanimidade, entendendo que não havia indicação de que ele tivesse cometido os crimes. Febraban e atuação pública Em 13 de março de 2024, assumiu a presidência do Conselho Diretor da Febraban para completar o mandato de Octavio de Lazari Junior, que havia deixado o comando do Bradesco. Também presidiu a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e o conselho da Elo Participações. Em abril de 2026, foi sucedido por Milton Maluhy Filho, do Itaú. Integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência, o Conselhão. Desde junho de 2020 assina uma coluna no caderno de Economia do Estadão, publicada a cada três semanas, sobre competitividade e o papel da iniciativa privada; disse que a coluna era "um resgate de uma dívida de gratidão" com o jornal que lia na adolescência. Em 2021, escreveu no jornal que as reformas estruturais, como a administrativa, eram um sonho que precisava ser resgatado. Em 2026, defendeu o alinhamento entre as políticas fiscal e monetária e chamou de "proibitivo" um juro real de 10%. Em abril, no programa CNBC Parlatório Talks, disse que a Selic tinha "uma certa gordura" para cair e que "quando a taxa de juro é muito alta, corre-se o risco de não receber o principal". Criticou a combinação de "uma política fiscal que pise no acelerador e uma política monetária que pise no freio". Sobre o caso Banco Master, disse que o Fundo Garantidor de Créditos cumpriu seu papel: "criou um colchão de segurança". Em maio, num evento do Estadão em Nova York, defendeu uma reforma permanente da Previdência: "a reforma do modelo social da Previdência precisa ser um processo que não para", e afirmou que "os modelos previdenciários do mundo são do século 19". Em 2017, já tinha chamado a reforma da Previdência de "quase uma mãe de todas as reformas". Em abril de 2026, escreveu no Estadão sobre o papel da contabilidade na transparência da gestão pública, depois de falar em um encontro do Conselho Federal de Contabilidade em Lisboa. Eleição de 2026 Na campanha presidencial de 2026, Trabuco transitou entre os dois lados. Em 27 de agosto, participou de um jantar de executivos do mercado financeiro com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na casa de Marcelo Kayath, e, segundo o colunista Lauro Jardim, recebeu Flávio na sede do banco. Segundo a colunista Bela Megale, Lula, que costumava recebê-lo para conversas reservadas, demonstrou decepção sobretudo com ele e sinalizou que passaria a ter uma relação mais protocolar com os banqueiros presentes. Esteve entre os convidados dos jantares de Lula com empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada, em 31 de agosto, e em São Paulo, em 25 de setembro de 2026. Quatro dias depois do jantar com Flávio, estava entre os 16 empresários recebidos por Lula no Alvorada. Recebeu do governo japonês a Ordem do Sol Nascente. Em 2009, entrou na lista dos 100 brasileiros mais influentes e recebeu o título de cidadão benemérito de Marília.
Carreira

Trajetória

  1. 2024 — 2026
    Presidente do Conselho Diretor da Febraban

    Sucedido por Milton Maluhy Filho.

  2. 2020 — atual
    Colunista do Estadão

    Coluna no caderno Economia & Negócios.

  3. 2017 — atual
    Presidente do conselho do Bradesco

    Sucedeu Lázaro de Mello Brandão.

  4. 2009 — 2018
    Presidente executivo do Bradesco

    Comprou o HSBC no Brasil em 2015.

  5. 2003 — 2009
    Presidente da Bradesco Seguros

    Tornou-se a maior seguradora da América Latina.

  6. 1999 — 2009
    Vice-presidente executivo do Bradesco

    Acumulou a Bradesco Seguros a partir de 2003.

  7. 1998 — 1999
    Diretor-gerente do Bradesco

    Eleito em 1998.

  8. 1992 — 1998
    Presidente da Bradesco Vida e Previdência

    Previdência privada do grupo.

  9. 1984 — 1992
    Diretor de marketing do Bradesco

    Oito anos à frente do marketing.

  10. 1969 — 1984
    Escriturário do Bradesco

    Entrou no banco aos 17 anos.

Projetos e Realizações

Iniciativas

Aquisição2015
Compra do HSBC Brasil
Aquisição

Maior aquisição da história do Bradesco, em 2015.

Educação2013
Unibrad
Universidade corporativa

Eleita a melhor do mundo no Global CCU Awards de 2017.

Empresa2026
Bradsaúde
Operações de saúde do Bradesco

IPO reverso por meio da Odontoprev, anunciado em 2026.

Na imprensa

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Aparições em vídeo

Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Trabuco do Bradesco?

Luiz Carlos Trabuco Cappi é o presidente do conselho de administração do Bradesco. Foi presidente executivo do banco de 2009 a 2018.

Qual a idade de Luiz Carlos Trabuco?

Luiz Carlos Trabuco tem 75 anos. Nasceu em 6 de outubro de 1951, em Marília (SP).

Quem é o presidente atual do Bradesco?

Trabuco preside o conselho de administração desde 2017. A presidência executiva é de outro executivo desde que ele a deixou, em 2018.

Quem foi o ex-presidente do Bradesco?

Trabuco foi presidente executivo entre 2009 e 2018, sucedendo Márcio Cypriano. Foi sucedido por Octavio de Lazari Junior.

Quem é o proprietário do banco Bradesco?

O Bradesco é uma empresa de capital aberto fundada por Amador Aguiar. Trabuco é o presidente do conselho, não o dono.

Como Trabuco começou no Bradesco?

Entrou como escriturário aos 17 anos e passou pelo marketing, pela previdência e pelas seguradoras do grupo antes de chegar à presidência.

Trabuco foi condenado na Operação Zelotes?

Não. Ele virou réu em 2016, mas a ação foi trancada por falta de justa causa, decisão mantida pelo STJ em 2018.

Onde Luiz Carlos Trabuco estudou?

Formou-se em filosofia pela USP e fez pós-graduação em sociopsicologia na FESPSP.

Trabuco ainda preside a Febraban?

Não. Presidiu o Conselho Diretor de março de 2024 a abril de 2026, quando foi sucedido por Milton Maluhy Filho, do Itaú.

O que é a Bradsaúde?

É a empresa que reúne as operações de saúde do Bradesco e substituirá a Odontoprev na B3, em um IPO reverso anunciado em 2026.

Quanto o Bradesco pagou pelo HSBC?

Em 2015, US$ 5,2 bilhões, cerca de R$ 17,6 bilhões, pela operação brasileira do HSBC.

O que Trabuco pensa sobre os juros?

Em 2026, defendeu a queda da Selic, dizendo que a taxa tinha "uma certa gordura", e chamou de "proibitivo" um juro real de 10%.

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