Paulo Henrique Costa

Ex-presidente do BRB (Banco de Brasília)

Biografia

Resumo biográfico

Paulo Henrique Costa é administrador de empresas e executivo do mercado financeiro. Presidiu o Banco de Brasília (BRB), banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal, de janeiro de 2019 a novembro de 2025, quando foi afastado do cargo por decisão judicial na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Está preso preventivamente desde 16 de abril de 2026, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de receber de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seis imóveis de luxo avaliados em cerca de R$ 146 milhões como propina para favorecer o Master dentro do BRB. A defesa afirma que ele não praticou crime algum. Formação Paulo Henrique Costa é formado em administração de empresas pela Universidade Católica de Pernambuco. Tem pós-graduação em desenvolvimento gerencial pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV) e em inovação corporativa pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Concluiu mestrado em administração de empresas pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e mestrado executivo em administração pela Kellogg School of Management, nos Estados Unidos. Carreira no mercado financeiro Costa começou a carreira no banco HSBC, em 1999, e foi para a Caixa Econômica Federal em 2001, onde entrou como trainee. No conglomerado da Caixa, onde trabalhou até 2018, ocupou cargos como gerente nacional de Risco e Modelagem, superintendente nacional de Administração de Risco Corporativo, diretor executivo de Controladoria e diretor de Administração, Finanças e Relações com Investidores da Caixa Seguridade. Entre 2011 e 2013, foi diretor de Controladoria e Compliance do Banco Panamericano. Entre 2005 e 2011, integrou a Comissão de Riscos e o Comitê Gestor da Implantação de Basileia II no Brasil, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), e a Comissão Técnica Consultiva de Gestão de Riscos da BM&FBovespa. Seu último cargo na Caixa foi o de vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital. Presidência do BRB (2019–2025) Em janeiro de 2019, no primeiro ano do governo de Ibaneis Rocha (MDB) no Distrito Federal, Costa assumiu a presidência do BRB por indicação do governador. Ficou quase sete anos no cargo. Segundo reportagens, sua gestão foi marcada pela expansão de serviços digitais, por parcerias e pelo reposicionamento do banco no cenário nacional. Em entrevista em 2025, Costa disse que o BRB passou de 660 mil para mais de 8 milhões de clientes em cinco anos. Em maio de 2024, o BRB fez um aumento de capital que captou R$ 290 milhões de investidores privados. Segundo relatório de auditoria externa contratada pelo banco e enviado à PF, mensagens de Costa indicam que ele interveio junto a subordinados para favorecer os interesses de Vorcaro nesse processo, com aportes de fundos ligados ao Master. Carteiras do Master e tentativa de compra Sob a gestão de Costa, o BRB comprou do Banco Master carteiras de crédito consignado que, segundo a investigação, eram falsas, num total de R$ 12,2 bilhões: R$ 6,7 bilhões em carteiras entre janeiro e junho de 2025, mais R$ 5,5 bilhões em prêmio. Segundo a PF, as operações entre o BRB e o grupo Master entre julho de 2024 e outubro de 2025 movimentaram cerca de R$ 16,7 bilhões, e equipes do próprio BRB já haviam identificado problemas nas carteiras em 2024. Em março de 2025, o BRB anunciou proposta para comprar 58% das ações do Master por cerca de R$ 2 bilhões. A Câmara Legislativa do Distrito Federal autorizou a operação por 14 votos a 7. Segundo a PF, as articulações para a compra começaram em outubro de 2024 e foram discutidas em reunião em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025, com Ibaneis Rocha, Vorcaro e Costa. A defesa de Ibaneis nega interferência e afirma que Costa tinha autonomia para conduzir as negociações. O Banco Central rejeitou a compra no início de setembro de 2025. Em mensagens obtidas pela PF, de abril de 2025, Costa disse a Vorcaro que o Master "nunca deixará de ser o seu banco". Em julho de 2025, quando Vorcaro se irritou com a demora do Banco Central em avaliar o negócio e disse que iria "pra cima" do regulador, Costa respondeu: "Estou contigo". Em depoimento à PF em outubro de 2026, Vorcaro afirmou que Costa seria o CEO do Master depois da compra pelo BRB. Operação Compliance Zero Em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, a Justiça determinou o afastamento de Costa da presidência do BRB, e Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos. O governo do Distrito Federal indicou para o lugar dele Celso Eloi Cavalhero, superintendente da Caixa. Em 30 de dezembro de 2025, Costa prestou depoimento à PF e participou de acareação com Vorcaro. Disse ter cobrado pessoalmente o dono do Master sobre as carteiras, "nem sempre de maneira delicada", e afirmou que o BRB acreditava que os créditos tinham sido originados pelo Master; Vorcaro sustentou que o banco sabia que as carteiras vinham da empresa Tirreno. Em 16 de abril de 2026, na quarta fase da operação, Costa foi preso em Brasília, junto com o advogado Daniel Monteiro, apontado pela PF como operador dos pagamentos de Vorcaro. Segundo a PF, Costa recebeu ao menos seis imóveis de luxo, dois em Brasília e quatro em São Paulo, avaliados em cerca de R$ 146 milhões, dos quais R$ 74 milhões já haviam sido pagos, como contrapartida pelos aportes do BRB em carteiras fraudulentas do Master. Em uma das mensagens citadas por Mendonça na decisão, Costa escreveu: "Fiz as contas para chegar no valor que combinamos", e disse estar "apagando algumas mensagens do celular". Em outra, afirmou que estavam "juntando as nossas vidas". Na busca em sua casa, a PF apreendeu mais de 20 armas, entre elas cinco fuzis e 16 pistolas. Mendonça também mandou bloquear as contas dele; documentos revelados após a quebra do sigilo mostraram contas zeradas e saldo devedor na data do bloqueio. Em abril, a Segunda Turma do STF começou a julgar a manutenção da prisão, com votos de Mendonça e Luiz Fux pela manutenção; Dias Toffoli se declarou impedido. Costa ficou inicialmente na Papuda e foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a "Papudinha", com autorização de Mendonça. Delação recusada Depois da prisão, Costa trocou de advogados e manifestou à Justiça a disposição de colaborar com as investigações. Em 25 de junho de 2026, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a proposta de delação premiada, por considerar que as informações tinham "baixa utilidade prática" e "débil eficácia". A recusa veio dez dias depois da rejeição da delação de Vorcaro. A defesa disse ter sabido da decisão pela imprensa, recorreu à Lei de Acesso à Informação para obter o parecer e pediu ao STF a liberdade provisória dele. Investigações em 2026 Em agosto de 2026, a PF concluiu o inquérito sobre a compra das carteiras do Master pelo BRB. Em setembro, com a retirada do sigilo de parte do caso, um laudo da PF apontou outros seis diretores do BRB como suspeitos de gestão fraudulenta na compra das carteiras do Master; Costa é o único preso. No mesmo mês, o Tribunal de Contas do Distrito Federal bloqueou R$ 2,76 bilhões em bens dele e de outros ex-dirigentes do banco, com base em investigação independente contratada pelo BRB. O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), disse que os distritais aprovaram a compra do Master com base em informações repassadas pela direção do banco. Em 15 de outubro de 2026, Costa voltou a depor à PF, na Papudinha. No mesmo dia, Vorcaro disse à PF que os imóveis ligados a Costa eram um "investimento" e poderiam ser usados por ele quando assumisse o comando do Master. Em 13 de agosto, a defesa pediu ao STF que Costa pudesse retomar quatro cursos de pós-graduação a distância da PUC-RS que frequentava antes da prisão, em áreas como direito penal e gestão financeira; até 21 de setembro, não havia decisão. Linha do tempo 1999: começa a carreira no HSBC. 2001: entra na Caixa Econômica Federal como trainee. 2011: assume a diretoria de Controladoria e Compliance do Banco Panamericano. 2019: assume a presidência do BRB, indicado por Ibaneis Rocha. 2025: BRB anuncia a compra do Master, rejeitada pelo Banco Central; Costa é afastado em novembro. 2026: é preso em 16 de abril na quarta fase da Operação Compliance Zero; PGR recusa sua delação em junho.
Carreira

Trajetória

  1. 2019 — 2025
    Presidente do BRB

    Indicado por Ibaneis Rocha; afastado por decisão judicial.

  2. 2011 — 2013
    Diretor de Controladoria e Compliance do Banco Panamericano

    Banco Panamericano.

  3. 2005 — 2011
    Membro de comissões da Febraban e da BM&FBovespa

    Comissão de Riscos e Comitê de Basileia II.

  4. 2001 — 2018
    Trainee e gestor na Caixa Econômica Federal

    Entrou como trainee; foi gerente nacional de Risco e Modelagem e superintendente nacional de Risco Corporativo.

  5. 2001 — 2018
    Diretor de Administração, Finanças e RI da Caixa Seguridade

    Um dos cargos de direção no conglomerado Caixa, onde também foi diretor executivo de Controladoria e vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital.

  6. 1999 — 2001
    Banco HSBC

    Início da carreira no mercado financeiro.

Projetos e Realizações

Iniciativas

Gestão2019
Digitalização do BRB
Banco de Brasília

Expansão de serviços digitais; segundo Costa, o banco passou de 660 mil para mais de 8 milhões de clientes.

Finanças2024
Aumento de capital do BRB
Banco de Brasília

Captou R$ 290 milhões de investidores privados em maio de 2024.

Operação investigada2024
Compra de carteiras do Banco Master
Banco de Brasília

R$ 12,2 bilhões em carteiras apontadas pela investigação como falsas.

Operação investigada2025
Proposta de compra do Banco Master
Banco de Brasília

Oferta por 58% do Master, rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025.

Na imprensa

Notícias de outros portais

15 de out. de 2026

PF acerta cerco ao caso Master e ouve ex-presidente do BRB

Paulo Henrique Costa prestou novo depoimento à Polícia Federal na Papudinha, onde está preso preventivamente desde abril. A PF busca esclarecer a atuação dele nas negociações com o Master, que movimentaram cerca de R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025.

Fonte: Diário do Poder

22 de abr. de 2026

STF tem 2 votos para manter preso ex-presidente do BRB

A Segunda Turma do STF começou a julgar a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro, com votos de André Mendonça e Luiz Fux pela manutenção. Dias Toffoli se declarou impedido.

Fonte: IG

Vídeos

Aparições em vídeo

Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Paulo Henrique Costa?

Paulo Henrique Costa é executivo do mercado financeiro e presidiu o Banco de Brasília (BRB) de 2019 a 2025. Está preso desde abril de 2026 na investigação sobre o Banco Master.

Paulo Henrique Costa está preso?

Sim: ele está preso preventivamente desde 16 de abril de 2026, por ordem de André Mendonça, e fica na Papudinha, em Brasília.

Por que Paulo Henrique Costa foi preso?

A PF suspeita que ele recebeu de Daniel Vorcaro seis imóveis de luxo, avaliados em R$ 146 milhões, para favorecer o Banco Master no BRB. A defesa nega crime.

Qual a relação de Paulo Henrique Costa com Vorcaro?

Como presidente do BRB, Costa comandou a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master e a tentativa de comprar o banco de Vorcaro, barrada pelo Banco Central.

Quem indicou Paulo Henrique Costa para o BRB?

Costa foi indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e assumiu o BRB em janeiro de 2019.

Paulo Henrique Costa fez delação premiada?

Não: a PGR rejeitou a proposta de delação em 25 de junho de 2026, por considerar as informações de baixa utilidade prática.

Quando Paulo Henrique Costa saiu do BRB?

Ele foi afastado da presidência por decisão judicial em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero.

Qual a formação de Paulo Henrique Costa?

Costa é formado em administração pela Universidade Católica de Pernambuco e tem mestrados pela Universidade de Birmingham e pela Kellogg School of Management.

Onde Paulo Henrique Costa trabalhou antes do BRB?

Costa trabalhou no HSBC e, de 2001 a 2018, no conglomerado da Caixa Econômica Federal, onde chegou a vice-presidente; também foi diretor do Banco Panamericano.

Quantas armas foram apreendidas com Paulo Henrique Costa?

A PF apreendeu mais de 20 armas na casa dele, entre elas cinco fuzis e 16 pistolas, segundo documento revelado em setembro de 2026.

Perfis relacionados

Outros perfis