Foto oficial de Ibaneis Rocha

Ibaneis Rocha

Advogado e ex-governador do Distrito Federal

Em exercício desde 1990
Biografia

Resumo biográfico

Ibaneis Rocha Barros Júnior é advogado e político filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Foi governador do Distrito Federal por dois mandatos, de 1º de janeiro de 2019 a 30 de março de 2026, quando renunciou para disputar o Senado e foi sucedido pela vice, Celina Leão (PP). Em julho de 2026, desistiu da candidatura e, em setembro, voltou à advocacia. Antes da política, presidiu a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), de 2013 a 2015. Desde 2025, Ibaneis é citado nas investigações da Polícia Federal sobre a compra de carteiras e a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do DF. Relatórios enviados pela PF ao Supremo Tribunal Federal em outubro de 2026 apontam "atuação direta" dele na estratégia do banco, e uma proposta de delação de Daniel Vorcaro, dono do Master, o acusa de ter pedido R$ 400 milhões em propina. A defesa nega qualquer ingerência nas operações do BRB. Origem e formação Ibaneis nasceu em 10 de julho de 1971, no Hospital de Base do Distrito Federal, em Brasília. Os pais são do Piauí, e ele passou parte da infância no interior do estado, em Corrente, no extremo sul piauiense, onde fez o ensino fundamental e o médio. Na juventude, trabalhou como feirante, empacotador e comerciante. Voltou a Brasília aos 15 anos para estudar e se formou em direito pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Fez pós-graduação em direito processual do trabalho e direito processual civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Carreira na advocacia Em 1990, abriu o próprio escritório de advocacia em Brasília, onde atuou por décadas na defesa de categorias do serviço público. O escritório, hoje chamado Ibaneis Advogados Associados, atua em ações de servidores públicos, como demandas de servidores da Justiça do Trabalho contra a União. Na OAB, foi vice-presidente da seccional do Distrito Federal entre 2008 e 2009 e secretário-geral da Comissão Nacional de Prerrogativas do Conselho Federal entre 2007 e 2010. Presidiu a OAB-DF de 2013 a 2015 e, em 2016, assumiu como diretor do Conselho Federal e corregedor-geral da entidade, para mandato de três anos. Segundo ele próprio, foi o primeiro presidente da OAB-DF nascido em Brasília. Eleição de 2018 Após 25 anos na advocacia, Ibaneis disputou sua primeira eleição aos 47 anos, como candidato do MDB ao governo do Distrito Federal, tendo como vice o empresário Paco Britto (Avante). Na primeira pesquisa Ibope, tinha 2% das intenções de voto; em uma semana, subiu 14 pontos e assumiu a liderança. Terminou o primeiro turno em primeiro lugar e, em 28 de outubro de 2018, venceu o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB) no segundo turno, com 1.042.574 votos (69,79% dos válidos). Tornou-se o primeiro governador do DF nascido na capital. Primeiro mandato (2019–2022) Em uma das primeiras medidas do governo, Ibaneis decretou situação de emergência na saúde pública do DF, o que permitiu contratações temporárias e compras sem licitação. No primeiro mês de mandato, ameaçou processar distritais que votassem contra a extensão do modelo de gestão do Hospital de Base e depois recuou. O governo implantou a gestão compartilhada de escolas públicas com a Polícia Militar, modelo cívico-militar. Ibaneis anunciou que a mudança valeria também em escolas cuja comunidade havia rejeitado a proposta em consulta, o que levou à saída do secretário de Educação, Rafael Parente, contrário à medida. Também propôs restringir o Passe Livre Estudantil; após protestos de estudantes, o projeto foi retirado da Câmara Legislativa para reformulação. Em julho de 2019, o Tribunal de Justiça do DF suspendeu contratos emergenciais, sem licitação, para limpeza de hospitais públicos por suspeitas de irregularidade; o governo anulou a contratação e exonerou 22 servidores envolvidos. Ibaneis chegou a dizer que conversava com representantes da Disney para levar um parque ao DF; a empresa negou ter planos no país. Na pandemia de covid-19, anunciou um decreto para impedir que hospitais públicos do DF atendessem pacientes do Entorno, o que foi criticado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado; a medida foi suspensa. Em abril de 2021, o governo cumpriu ordem de despejo de cerca de 38 famílias sem-teto que viviam perto do Centro Cultural Banco do Brasil, com uso de força policial contra moradores e ativistas. Questionado, Ibaneis disse que "Brasília não pode virar uma favela". Torcedor do Flamengo, Ibaneis comprou duas franquias de lojas de produtos do clube. O BRB passou a ser patrocinador master do Flamengo, e o deputado distrital Leandro Grass (Rede) pediu a órgãos de controle que apurassem possível improbidade, por causa da liberação de público em jogos no DF. Reeleição em 2022 Em 2 de outubro de 2022, Ibaneis foi reeleito no primeiro turno, com 832.633 votos (50,30% dos válidos), segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Leandro Grass (PV) ficou em segundo, com 434.587 votos (26,25%). A vice na chapa foi a deputada federal Celina Leão (PP). Afastamento após o 8 de janeiro Em 9 de janeiro de 2023, um dia após os ataques às sedes dos Três Poderes, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, afastou Ibaneis do cargo por 90 dias, por suspeita de omissão diante dos atos; a decisão foi referendada pelo plenário do Supremo. Ele ficou 64 dias afastado; em 15 de março de 2023, Moraes revogou a medida e autorizou a volta dele ao governo. Em março de 2025, Moraes acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República e arquivou o inquérito sobre a conduta de Ibaneis no 8 de janeiro. Em setembro de 2026, o caso foi citado pelo ministro André Mendonça como precedente para afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. BRB e Banco Master Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019, indicado por Ibaneis. Segundo a PF, a atuação do governador na relação com o Master remonta a outubro de 2024, quando o BRB lançou ações no mercado para captar até R$ 1 bilhão; de outubro de 2024 a fevereiro de 2025, o banco comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Master. Segundo os investigadores, a compra do Master começou a ser discutida em reunião em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025, com Ibaneis, Vorcaro e Costa. Em março de 2025, o BRB anunciou a proposta de compra de parte do Master, rejeitada pelo Banco Central em setembro. Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou ter tratado pessoalmente com Ibaneis da venda do banco ao BRB. O governador confirmou o encontro, mas negou ter discutido a operação. No fim de janeiro de 2026, PSB, PSOL, PDT e Cidadania apresentaram pedidos de impeachment na Câmara Legislativa; o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), aliado de Ibaneis, arquivou três deles em 20 de fevereiro. Cinco partidos também pediram ao Superior Tribunal de Justiça a apuração de crimes e o afastamento do governador. Em abril de 2026, a CPI do Crime Organizado do Senado convocou Ibaneis a depor, mas o ministro André Mendonça decidiu que ele não era obrigado a comparecer. Em fevereiro de 2026, o Estadão revelou que Ibaneis indicou sua chefe de gabinete e dois advogados para o Conselho Fiscal do BRB e que a indicação dos advogados foi atribuída em ata ao fundo Borneo, administrado pela Reag Investimentos, investigada no caso. Os dois conselheiros renunciaram e disseram desconhecer o fundo. Honorários vendidos à Reag Em março de 2026, reportagens mostraram que o escritório de Ibaneis vendeu pelo menos R$ 85,5 milhões em honorários a fundos ligados ao Master e à Reag entre 2019 e 2024. Em setembro de 2023, já governador, Ibaneis aparece como representante do escritório e assina digitalmente a venda de R$ 10 milhões em honorários de 405 processos ao fundo Laguz I, da Reag; o escritório disse que o documento foi assinado pela gerente administrativa e que recebeu R$ 5 milhões. Em maio de 2024, o escritório cedeu ao fundo Reag Legal Claims honorários com valor de face de R$ 38 milhões e afirmou ter recebido R$ 4 milhões. A banca sustenta que as operações foram regulares e comuns no mercado jurídico, e Ibaneis disse que nunca fez negócios com a Reag. Relação com o bolsonarismo Durante o governo, Ibaneis buscou integrar a aliança da direita no Distrito Federal e pretendia disputar o Senado na chapa de Celina, ao lado de Michelle Bolsonaro, apesar da resistência de Jair e Michelle. Segundo o Estado de Minas, o plano começou a ruir depois do afastamento no 8 de janeiro e quando Ibaneis se definiu como político da "direita pragmática" e disse que a ex-primeira-dama pertencia à ala mais "ideológica", o que desagradou a família Bolsonaro. Renúncia e rompimento com Celina Em 30 de março de 2026, Ibaneis renunciou ao governo, cumprindo o prazo de desincompatibilização para disputar o Senado, e passou o cargo a Celina Leão. No mesmo dia, recebeu de volta a carteira da OAB-DF e disse que "política não é profissão". Em 20 de maio, anunciou em vídeo o rompimento com a sucessora, dizendo ter tido "muitas decepções"; Celina respondeu que recebeu o comunicado "com serenidade" e que sempre foi "leal". A chapa de Celina priorizava Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado. Em junho, aliados de Ibaneis pediram à direção nacional do MDB intervenção no diretório do DF, presidido por Wellington Luiz. Em 8 de julho de 2026, Ibaneis anunciou que desistia da candidatura ao Senado: "Quero cuidar da minha vida". Em 3 de setembro, depois de sete anos e três meses no governo, anunciou a volta ao escritório, que tem como sócio o filho mais velho: "Volto à advocacia como outro homem". Na campanha, Celina tentou se desvincular do ex-governador e disse no debate da Band que não era "apêndice" dele. Mesmo sem Ibaneis, a coligação dela teve o apoio do MDB. Celina foi reeleita no segundo turno, em 25 de outubro de 2026, e se tornou a primeira mulher eleita para governar o DF. Relatórios da PF e acusação de Vorcaro Em 9 de outubro de 2026, relatórios da PF enviados ao STF apontaram que Ibaneis "não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais" e que decisões estratégicas da relação BRB-Master eram submetidas a ele antes da deliberação dos órgãos de governança do banco. A defesa afirmou que Ibaneis "não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência" nas operações e que o relatório mostra que ele não foi interlocutor direto de Vorcaro em nenhuma mensagem. Nos mesmos documentos, a PF concluiu que o Master passou a integrar de forma indireta a estrutura acionária do BRB, por meio de fundos de investimento como Borneo, Verbier e Delta, estruturados para ocultar o beneficiário final. A defesa de Paulo Henrique Costa respondeu que ele "foi presidente do BRB, não seu dono" e que o acionista majoritário era o governo do DF. Em 21 de outubro, o UOL revelou que, em proposta de delação, Vorcaro acusou Ibaneis de pedir R$ 400 milhões em propina para viabilizar o negócio, metade em dinheiro e metade por contrato com escritório de advocacia indicado por ele, além de 5% do novo banco. Vorcaro disse ter antecipado R$ 80 milhões em espécie, entregues em Brasília a Leonardo Valverde, apontado como aliado próximo de Ibaneis, e situou o acerto após o primeiro encontro dos dois, em 18 de setembro de 2024, na casa do banqueiro em Brasília; uma semana depois, segundo o relato, houve nova reunião, com a presença de Paulo Henrique Costa. Segundo fontes da PF, os elementos apresentados não foram considerados suficientes para levar adiante a delação. O advogado de Ibaneis, conhecido como Kakay, rejeitou a consistência das acusações, e a defesa ressaltou que a proposta de delação não foi aceita. Na Câmara Legislativa, deputados de oposição cobraram explicações, e o ex-interventor federal Ricardo Cappelli pediu o bloqueio de bens dos responsáveis. Linha do tempo 1971: nasce em Brasília, em 10 de julho. 1990: abre o próprio escritório de advocacia. 2013: assume a presidência da OAB-DF, que ocupa até 2015. 2018: é eleito governador do DF no segundo turno, com 69,79% dos votos válidos. 2022: é reeleito no primeiro turno, com 832.633 votos. 2023: é afastado por 64 dias após o 8 de janeiro. 2025: BRB tenta comprar o Banco Master; Banco Central rejeita o negócio. 2026: renuncia ao governo em março, desiste do Senado em julho e volta à advocacia em setembro.
Carreira

Trajetória

  1. 2026 — atual
    Retorno à advocacia

    Escritório Ibaneis Advogados Associados.

  2. 2026 — 2026
    Pré-candidato ao Senado pelo DF

    Renunciou ao governo e desistiu em julho.

  3. 2023 — 2026
    Governador do Distrito Federal (2º mandato)

    Reeleito no 1º turno com 832.633 votos.

  4. 2023 — 2023
    Afastado do governo pelo STF

    64 dias após os ataques de 8 de janeiro.

  5. 2019 — 2022
    Governador do Distrito Federal (1º mandato)

    Eleito no 2º turno com 69,79% dos válidos.

  6. 2016 — 2018
    Diretor e corregedor-geral do Conselho Federal da OAB

    Mandato de três anos.

  7. 2013 — 2015
    Presidente da OAB-DF

    Primeiro presidente da seccional nascido em Brasília.

  8. 2008 — 2009
    Vice-presidente da OAB-DF

    Seccional do Distrito Federal.

  9. 2007 — 2010
    Secretário-geral da Comissão Nacional de Prerrogativas da OAB

    Conselho Federal da OAB.

  10. 1990 — atual
    Advogado

    Abriu o próprio escritório em Brasília.

Projetos e Realizações

Iniciativas

Educação2019
Escolas cívico-militares
Educação

Gestão compartilhada de escolas públicas com a Polícia Militar.

Saúde2019
Situação de emergência na saúde
Saúde

Decreto no início do governo para contratações e compras emergenciais.

Mobilidade2019
Carros elétricos compartilhados
Ciência e Tecnologia

Concessão de carros elétricos para deslocamento de servidores e proposta de isenção de IPVA.

Transporte2019
Mudanças no Passe Livre Estudantil
Transporte

Projeto de restrição ao benefício, retirado após protestos.

Finanças públicas2024
Capitalização do BRB
Banco de Brasília

Oferta de ações para captar até R$ 1 bilhão em 2024.

Operação investigada2025
Tentativa de compra do Banco Master pelo BRB
Banco de Brasília

Negócio anunciado em 2025 e rejeitado pelo Banco Central.

Na imprensa

Notícias de outros portais

21 de out. de 2026

Vorcaro acusa Ibaneis de pedir R$ 400 milhões em propina no caso Master

Em proposta de delação revelada pelo UOL, Daniel Vorcaro acusou Ibaneis Rocha de exigir R$ 400 milhões em propina para viabilizar o negócio entre BRB e Master, metade em dinheiro e metade por contrato com escritório indicado por ele, além de 5% do novo banco.

Fonte: Jornal Opção

06 de jun. de 2026

Aliados de Ibaneis pedem intervenção no MDB-DF

Após o rompimento com Celina, aliados de Ibaneis liderados pelo deputado Rafael Prudente pediram à direção nacional do MDB intervenção no diretório do DF, presidido por Wellington Luiz.

Fonte: Correio Braziliense

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Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Ibaneis Rocha?

Ibaneis Rocha é advogado e político do MDB, governou o Distrito Federal de 2019 a março de 2026 e presidiu a OAB-DF de 2013 a 2015.

Qual a idade de Ibaneis Rocha?

Ibaneis nasceu em 10 de julho de 1971, em Brasília, e tem 55 anos em outubro de 2026.

Ibaneis Rocha ainda é governador do DF?

Não: ele renunciou em 30 de março de 2026 para disputar o Senado, e Celina Leão (PP) assumiu o governo.

Ibaneis Rocha foi candidato ao Senado em 2026?

Não: ele desistiu da candidatura em 8 de julho de 2026, dizendo que queria "cuidar da vida", e não disputou a eleição.

O que Ibaneis Rocha faz hoje?

Desde setembro de 2026, Ibaneis voltou à advocacia no escritório Ibaneis Advogados Associados, em Brasília.

Ibaneis Rocha é de qual partido?

Ibaneis é filiado ao MDB, pelo qual foi eleito governador em 2018 e reeleito em 2022.

Qual a relação de Ibaneis com o Banco Master?

A PF aponta que ele atuou diretamente na estratégia do BRB que levou à tentativa de compra do Master, em 2024 e 2025. A defesa nega ingerência.

Vorcaro acusou Ibaneis de quê?

Em proposta de delação, Vorcaro disse que Ibaneis pediu R$ 400 milhões em propina para viabilizar a compra do Master pelo BRB. A defesa rejeita a acusação.

Ibaneis Rocha está preso?

Não: Ibaneis é citado nas investigações da PF sobre o BRB e o Master, mas não foi preso.

Por que Ibaneis foi afastado do governo em 2023?

Alexandre de Moraes o afastou em 9 de janeiro de 2023 por suspeita de omissão nos ataques do 8 de janeiro. Ele voltou ao cargo após 64 dias, e o inquérito foi arquivado em 2025.

Quantos votos Ibaneis teve em 2022?

Ibaneis foi reeleito no primeiro turno com 832.633 votos, 50,30% dos válidos, segundo o TSE.

Ibaneis Rocha rompeu com Celina Leão?

Sim: em 20 de maio de 2026, Ibaneis anunciou o rompimento com a sucessora, dizendo ter tido "muitas decepções" com ela.

Ibaneis Rocha foi presidente da OAB?

Sim: presidiu a seccional da OAB no Distrito Federal de 2013 a 2015 e depois foi diretor e corregedor-geral do Conselho Federal.

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