Foto oficial de Nise Yamaguchi

Nise Yamaguchi

Médica oncologista e imunologista

Biografia

Resumo biográfico

Nise Yamaguchi é uma médica oncologista e imunologista brasileira que ganhou projeção nacional na pandemia de covid-19 como uma das principais defensoras da cloroquina e do chamado tratamento precoce, sem eficácia comprovada contra a doença. Nise Hitomi Yamaguchi nasceu em Maringá, no Paraná, em 6 de maio de 1959, e tem 67 anos. Doutora em oncologia pela Universidade de São Paulo (USP), foi ouvida pela CPI da Pandemia em 2021, teve o indiciamento pedido no relatório final da comissão e, desde então, tenta uma carreira política. Filiada ao Partido Liberal (PL), disputou uma vaga de deputada federal por São Paulo em 2026 e recebeu 42.758 votos, insuficientes para se eleger. Nise formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da USP em 1982 e concluiu a residência em clínica médica, imunologia e alergia no Hospital das Clínicas da FMUSP em 1988. Durante a formação, fez cursos na Alemanha e na Suíça sobre a visão humanística do paciente e de seus familiares e treinou em Nova York com cientistas do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, onde estudou a imunologia de tumores. O trabalho resultou na dissertação de mestrado defendida na disciplina de imunologia do HCFMUSP em 1993. Depois, fez doutorado em oncologia pela USP. Ela dirige o Instituto Avanços em Medicina, em São Paulo, e integrava o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. A produção científica dela, registrada no PubMed, trata de temas como o impacto do tabagismo na imunidade e no DNA, o uso de leite humano no tratamento de sinusite em paciente com linfoma em uso de rituximabe, critérios de resposta à imunoterapia contra o câncer com pembrolizumabe, a combinação de gefitinibe e celecoxibe em tumores gastrointestinais metastáticos e as barreiras da pesquisa clínica em oncologia no mundo. Ela também dá palestras sobre câncer de mama e sobre imunidade, como a que fez em 2021 na Escola do Legislativo da Câmara de Garça, no interior paulista. No início da pandemia, em 2020, Nise foi convidada pelo então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a participar do comitê de crise e passou a se reunir com o presidente Jair Bolsonaro, de quem se disse próxima. "A gente conversa direto", afirmou à revista Veja na época. Defensora da hidroxicloroquina, foi cotada para suceder Mandetta, mas o escolhido foi Nelson Teich. Quando Teich pediu demissão, em 15 de maio de 2020, ela voltou a ser apontada como possível ministra e se reuniu de novo com Bolsonaro, mas disse que não foi convidada. O cargo ficou com o general Eduardo Pazuello. Em julho de 2020, estudos da Universidade de Oxford, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e da Organização Mundial da Saúde concluíram que a hidroxicloroquina não tem benefício na prevenção nem no tratamento da covid-19. Nise afirmou que, por trás da negação da eficácia, haveria uma competição entre grandes potências. Também em julho de 2020, o Hospital Israelita Albert Einstein afastou Nise do corpo clínico depois de uma entrevista à TV Brasil em que ela comparou o medo provocado pela pandemia à situação das vítimas do Holocausto. Na fala, perguntou se poucos soldados nazistas conseguiriam controlar a massa de judeus famintos se não os submetessem a humilhações diárias. O hospital classificou a declaração como "insólita" e uma "analogia infeliz e infundada", e a Federação Israelita do Estado de São Paulo disse que ela minimizou os horrores do nazismo. Nise pediu desculpas, afirmou que suas palavras nunca foram antissemitas e lembrou que seu mentor era judeu. Em nota, o hospital disse que era admissível que ela tivesse entendimento próprio sobre a pandemia e o atendimento de seus pacientes, desde que respeitasse as regras de comunicação dos integrantes do corpo clínico, e que faria uma averiguação para saber se houve apenas despropósito ou intenção ofensiva. O presidente do Einstein, Sidney Klajner, negou que o afastamento tivesse relação com a defesa da hidroxicloroquina. O presidente da Associação Sionista Brasil-Israel, Felix Soibelman, saiu em defesa da médica e chamou a decisão de "nova inquisição". O nome de Nise chegou à CPI da Covid, no Senado, pelo depoimento do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Ele relatou uma reunião no Palácio do Planalto, conduzida pelo então ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, em que estava sobre a mesa um papel sem timbre com a minuta de um decreto presidencial para mudar a bula da cloroquina e incluir a indicação contra a covid-19. Segundo Barra Torres, o documento foi comentado por Nise, e ele reagiu dizendo que só a agência poderia alterar uma bula, a pedido do fabricante. Mandetta já havia relatado a mesma reunião e disse ter se recusado a assinar a liberação defendida por Nise e pelo anestesiologista Luciano Dias de Azevedo. Antes do depoimento, Nise procurou o gabinete do presidente da CPI, Omar Aziz, para se oferecer a falar. A ida dela era defendida por senadores governistas, e o senador Ciro Nogueira, aliado de Bolsonaro, conseguiu transformar a convocação em convite. Barra Torres disse aos senadores que reagiu de forma "um pouco deselegante" à proposta de mudar a bula, porque "aquilo não poderia ser". Em nota, Nise afirmou que a versão do presidente da Anvisa "não representa a realidade". A cloroquina e a hidroxicloroquina são usadas contra malária, lúpus e artrite reumatoide, e pesquisas já mostravam que não funcionam contra a covid-19 e podem, em alguns casos, fazer mal. Nise depôs à CPI em 1º de junho de 2021, na condição de convidada, o que a desobrigava do compromisso de dizer a verdade. Negou ter elaborado a minuta e disse que o texto, que lhe fora enviado por Luciano Azevedo, não tratava da bula, mas da disponibilização de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina à rede de saúde, com termo de consentimento do paciente. Para provar, entregou uma ata notarial com a troca de mensagens de 6 de abril de 2020, em que respondeu ao colega: "este decreto não pode ser feito assim, porque não é assim que regulamenta pesquisa clínica. Tem normas próprias. Exporia muito o presidente". Para a imprensa e para senadores da oposição, o documento acabou comprovando a existência do gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente. Ela negou fazer parte desse grupo, disse ter se reunido quatro ou cinco vezes com Bolsonaro, nunca a sós, e se definiu como "colaboradora eventual de qualquer governo que precisar". Admitiu conversas com a área técnica do Ministério da Saúde sobre doses de cloroquina, defendeu o tratamento precoce, disse ser contra uma vacinação "aleatória" e citou um estudo de Manaus com altas doses do remédio. O presidente da CPI, Omar Aziz, reagiu: "Não acreditem nela. A vacina salva!", e chegou a falar em acareação com Mandetta e Barra Torres. O depoimento teve embates duros. O senador Otto Alencar, que também é médico, chamou as afirmações de "levianas" e perguntou se ela sabia a diferença entre um protozoário e um vírus. As senadoras Leila Barros e Eliziane Gama reclamaram das interrupções, e o tratamento dado à médica dividiu as redes entre acusações de machismo e defesa do combate à desinformação. Bolsonaro disse que o depoimento foi uma "covardia" contra a médica. Semanas depois, Nise entrou na Justiça contra Omar Aziz e Otto Alencar pedindo R$ 160 mil de indenização de cada um por danos morais, alegando "desrespeito e humilhação" e comportamento misógino, e disse que destinaria o dinheiro a hospitais que tratam crianças com câncer. Em 2022, a checagem do Correio Braziliense confirmou que Leila Barros interveio em defesa da depoente, como dissera Simone Tebet em debate presidencial. Na sessão, Otto Alencar disse à depoente: "A senhora não sabe, infelizmente a senhora não sabe nada de infectologia". Ao responder à ação, a assessoria do senador lembrou que a Constituição garante a parlamentares a inviolabilidade por opiniões no exercício do mandato, disse que ele sempre a tratou como "doutora" e "Vossa Senhoria" e reafirmou que nenhum remédio evita a infecção pelo coronavírus. O episódio voltou à campanha presidencial de 2022: no debate da Band, Bolsonaro acusou Simone Tebet de ter assistido calada às humilhações de Nise e de Mayra Pinheiro na CPI. Tebet respondeu que não estava na sessão, que pediu a Leila Barros que interviesse e que, embora discorde das ideias da médica, ela "foi vítima de violência política". O Comprova, consórcio de checagem do qual o Estadão faz parte, classificou como falsa a publicação que acusava Tebet de omissão. Em outubro de 2021, a coluna de Malu Gaspar, no Globo, revelou que médicos da operadora Hapvida pressionados a receitar hidroxicloroquina receberam, em julho de 2020, uma apresentação de 33 slides em defesa do remédio atribuída a Nise, com dados de outras operadoras. Um dos slides dizia que 5.400 pacientes da Prevent Senior haviam tomado hidroxicloroquina sem nenhuma morte; mais tarde, investigações mostraram que a rede paulista ocultou mortes por covid-19 e fraudou prontuários. Procurada, ela não confirmou nem negou a autoria, e a Hapvida disse que a médica não participou de cursos da empresa. No mesmo mês, o relatório final da CPI, do senador Renan Calheiros, pediu o indiciamento de Nise como participante do gabinete paralelo, pelo crime de epidemia com resultado morte. O pedido virou um inquérito policial em São Paulo. Em junho de 2026, o Ministério Público paulista pediu o arquivamento. A promotora Maria do Carmo Galvão de Barros Toscano escreveu que o crime exige prova de conduta de propagação de germes, ligação direta com a disseminação da doença e intenção de causar epidemia, e que "nada disso foi demonstrado". Para ela, "o Direito Penal não admite responsabilização fundada exclusivamente em divergência científica", e o caso pode ser reaberto se surgirem provas novas. Em depoimento escrito, Nise negou qualquer irregularidade e disse que apenas forneceu opiniões técnicas ao governo. A carreira política começou logo depois da CPI. Em dezembro de 2021, Nise anunciou nas redes sociais que seria pré-candidata ao Senado por São Paulo, dizendo que "mais mulheres de bem devem ocupar essa cadeira". Em 2022, acabou disputando uma vaga de deputada federal pelo PROS, com o slogan "A partir de agora meu paciente é SP", e recebeu 36.690 votos, sem se eleger. Em 2024, concorreu a vereadora de São Paulo pelo União Brasil e também não foi eleita. No mesmo ano, o Ministério da Justiça negou o pedido do Instituto Nise Yamaguchi para ser qualificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), o que facilitaria o acesso a verbas públicas e privadas. Em março de 2026, o PL anunciou a filiação de Nise e sua pré-candidatura a deputada federal, em vídeo com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e com o senador Flávio Bolsonaro, então pré-candidato à Presidência. Ela disse ser um "privilégio" entrar na sigla. Com o número 2221, recebeu R$ 2,45 milhões do fundo eleitoral do PL, valor destacado pelo Valor, que a listou entre as apostas do partido em São Paulo ao lado do vereador Lucas Pavanato, de Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, e do Padre Kelmon, e declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 95 mil, uma sala comercial em São Paulo. Na campanha, defendeu que o médico não pode ser apenas espectador numa crise sanitária e disse que, se pudesse voltar no tempo, teria se manifestado ainda mais na pandemia. Em agosto, no Pleno News, comentou a estratégia de Flávio de se apresentar como um "Bolsonaro vacinado" e prometeu levar a ele alertas sobre a pandemia. Na mesma conversa, afirmou que, na opinião dela, várias vacinas da covid-19 "não foram eficientes e foram danificantes" e que esse ponto precisaria ser levado ao candidato. Também disse temer campanhas de destruição de reputações e de notícias falsas "de todos os lados" e defendeu uma eleição "justa, transparente, confiável, auditável". No primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, Nise teve 42.758 votos, 17.833 deles na capital paulista, e ficou fora da Câmara. O Brasil de Fato a incluiu entre os nomes da direita rejeitados nas urnas. No segundo turno, Flávio Bolsonaro, candidato que ela apoiava, foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Carreira

Trajetória

  1. 2026 — 2026
    Candidata a deputada federal

    Número 2221; recebeu 42.758 votos em outubro de 2026 e não foi eleita.

  2. 2024 — 2024
    Candidata a vereadora de São Paulo

    Não foi eleita.

  3. 2022 — 2022
    Candidata a deputada federal

    Recebeu 36.690 votos e não foi eleita.

  4. 2021 — 2022
    Pré-candidata ao Senado por São Paulo

    Anunciou a pré-candidatura em dezembro de 2021.

  5. 2021 — 2021
    Depoimento à CPI da Pandemia

    Ouvida em 1º de junho de 2021 sobre o tratamento precoce e a proposta de mudar a bula da cloroquina.

  6. 2020 — 2020
    Integrante do comitê de crise da covid-19

    Convidada pelo então ministro Luiz Henrique Mandetta; depois apontada pela CPI como integrante do gabinete paralelo.

  7. 1993 — 1993
    Mestrado em imunologia

    Dissertação defendida em 1993, resultado do treinamento em imunologia de tumores no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York.

  8. 1982 — 1988
    Residência em clínica médica, imunologia e alergia

    Concluída em 1988.

  9. 1982 — 1982
    Formatura em medicina

    Formou-se em 1982.

Projetos e Realizações

Iniciativas

Pesquisa2019
Smoking, immunity, and DNA damage
Artigo científico

Artigo sobre o impacto do tabagismo na imunidade e no DNA, publicado na Translational Lung Cancer Research.

Pesquisa2019
Leite humano tópico contra sinusite em paciente com linfoma
Artigo científico

Relato publicado no Journal of Clinical Immunology com Patrícia Palmeira e Magda Carneiro-Sampaio.

Pesquisa2015
Critérios de resposta à imunoterapia com pembrolizumabe
Artigo científico

Artigo na Ecancermedicalscience sobre critérios OMS, RECIST e de resposta imunológica.

Pesquisa2014
Gefitinibe e celecoxibe em tumores gastrointestinais metastáticos
Estudo piloto

Estudo de viabilidade publicado no Journal of Gastrointestinal Oncology.

Pesquisa2014
Barreiras à pesquisa clínica global em câncer
Artigo científico

Coautoria de artigo no The Oncologist sobre desafios da pesquisa clínica em oncologia.

Saúde2021
Palestra Câncer de mama
Escola do Legislativo de Garça (SP)

Palestra transmitida pela Câmara Municipal de Garça.

Saúde
Instituto Nise Yamaguchi
Entidade civil

Instituto criado pela médica; teve negada a qualificação como Oscip em 2024.

Na imprensa

Notícias de outros portais

Galeria

Galeria de fotos

Causas

Causas e valores defendidos

Autonomia médica

Defende a autonomia do médico na prescrição e a participação dos médicos nas decisões públicas.

Oncologia e imunologia

Atua em pesquisa e tratamento do câncer.

Vídeos

Aparições em vídeo

Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Nise Yamaguchi?

Nise Yamaguchi é uma médica oncologista e imunologista, doutora pela USP, conhecida pela defesa da cloroquina na pandemia e pelo depoimento à CPI da Covid.

Quantos anos tem Nise Yamaguchi?

Ela nasceu em Maringá (PR) em 6 de maio de 1959. Tem 67 anos.

Nise Yamaguchi é formada em quê?

Em medicina, pela Faculdade de Medicina da USP, em 1982. Fez residência em imunologia e alergia, mestrado em imunologia e doutorado em oncologia.

Nise Yamaguchi foi eleita em 2026?

Não. Candidata a deputada federal por São Paulo pelo PL, recebeu 42.758 votos e não se elegeu.

Quantos votos Nise Yamaguchi teve?

Em 2026, teve 42.758 votos para deputada federal. Em 2022, pelo PROS, teve 36.690.

Nise Yamaguchi é candidata por qual partido e estado?

Pelo Partido Liberal (PL), em São Paulo, com o número 2221.

Qual é o patrimônio de Nise Yamaguchi?

Ela declarou à Justiça Eleitoral em 2026 patrimônio de R$ 95 mil, referente a uma sala comercial em São Paulo.

Por que Nise Yamaguchi foi afastada do Einstein?

Em julho de 2020, o hospital a afastou após ela comparar o medo da pandemia à situação de judeus no Holocausto. Ela pediu desculpas.

O que Nise Yamaguchi disse na CPI da Covid?

Negou ter discutido mudança na bula da cloroquina e integrar um gabinete paralelo, defendeu o tratamento precoce e entregou mensagens sobre uma minuta de decreto.

Nise Yamaguchi foi indiciada?

O relatório da CPI pediu seu indiciamento. Em junho de 2026, o Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento do inquérito por falta de provas.

Nise Yamaguchi foi presa?

Não. Ela foi investigada em inquérito aberto a partir da CPI, e o MP-SP pediu o arquivamento em junho de 2026.

Nise Yamaguchi apoia Flávio Bolsonaro?

Sim. Ela apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026.

Nise Yamaguchi foi ministra da Saúde?

Não. Foi cotada em 2020 para suceder Mandetta e Teich, mas não foi nomeada.

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