Foto oficial de Augusto Lima

Augusto Lima

Empresário e ex-sócio do Banco Master

Em exercício desde 2001
Biografia

Resumo biográfico

Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, é economista e empresário baiano do setor de crédito consignado. Criou em 2018 o Credcesta, cartão de benefícios com desconto em folha voltado a servidores públicos, e foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, onde atuou como CEO. Depois de deixar a sociedade, passou a controlar o Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central em 18 de fevereiro de 2026. É investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras ligadas ao Master, e foi preso preventivamente em novembro de 2025, sendo solto cerca de duas semanas depois por decisão judicial. A defesa afirma que ele sempre atuou dentro da legalidade e que sua inocência ficará comprovada. Origem e formação Augusto Lima nasceu em Salvador, em uma família de classe média, e tinha 46 anos em fevereiro de 2026. Cursou economia em uma universidade particular e se formou em 2002, com um trabalho de conclusão de curso sobre a indústria do Carnaval. Antes de entrar no mercado financeiro, trabalhou com a venda de abadás, as fantasias usadas nos blocos do Carnaval baiano. Primeiros negócios A entrada de Lima no setor financeiro se deu pela Terra Firme da Bahia, empresa fundada em 2001 para atuar como correspondente de instituições financeiras. Nos anos seguintes, ele fundou outras empresas no mesmo segmento e ajudou a criar as associações de servidores Asteba e Asseba, que prestavam serviços, inclusive financeiros, a funcionários públicos. O grupo Terra Firme se tornou a base de seus negócios na Bahia. A privatização da Ebal e a criação do Credcesta Lima se aproximou dos governos do PT na Bahia a partir de 2017, quando Rui Costa era governador e Jaques Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Wagner conduziu a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede estatal de supermercados Cesta do Povo. Depois de dois leilões sem interessados, Lima apresentou ao governo a proposta de transformar o cartão de compras da rede em um pacote de benefícios para servidores, com serviços financeiros incluídos. A Ebal foi arrematada em abril de 2018, por R$ 15 milhões, pela NGV SPE Empreendimentos e Participações, única empresa a disputar o leilão. Lima não aparece entre os sócios da NGV, mas e-mails revelados pelo UOL o mostram organizando a empresa, que depois transferiu os direitos de exploração do cartão para a PKL One, dirigida por executivos ligados ao grupo Terra Firme. Menos de um mês após o leilão, o governo baiano autorizou servidores e pensionistas a fazer compras no Cesta do Povo com recursos do Credcesta, que também ganhou permissão para ampliar suas operações financeiras. O cartão tem exclusividade de 15 anos no governo da Bahia, com juros na faixa de 4,7% ao mês e uma margem adicional de 30% da renda do servidor. Em menos de uma década, o produto chegou a 24 estados e 176 municípios. Em discurso no Senado em maio de 2026, Jaques Wagner defendeu a venda da estatal e disse que manter uma rede de supermercados pública "era uma excrescência". Sociedade no Banco Master Em busca de um banco para dar escala ao Credcesta, Lima procurou o BMG, sem acordo, e foi apresentado à equipe de Daniel Vorcaro quando o Master ainda se chamava Banco Máxima. Em poucas semanas, a PKL One e o banco firmaram parceria para dividir os ganhos do cartão, e o Credcesta passou a ser incorporado ao Master. Segundo a Folha de S.Paulo, Lima entrou na sociedade do banco em maio de 2020. Com a influência política dos sócios, o produto se espalhou pelo país; no Rio de Janeiro, por exemplo, o governo estadual autorizou em 2021 uma margem de 20% da renda com exclusividade, suspensa no fim de 2025. O Master também obteve autorização para operar o consignado do INSS, oferecido junto ao Credcesta. Lima ocupou o cargo de CEO do Master e participou da operação que levou o banco a adquirir o Will Bank, banco digital com mais de 9 milhões de clientes e forte presença no Norte e no Nordeste. A defesa afirma que ele deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024. Registros da agenda oficial do Banco Central, porém, listam Lima como CEO do Master em sete reuniões com a diretoria da autarquia ao longo de 2025. Em dezembro de 2024, a proposta de homenagem aprovada na Assembleia Legislativa da Bahia também o apresentava como "acionista e CEO do Banco Master". Segundo a Folha, ao assinar o acordo de saída, Lima manteve escritório no banco e o controle da operação do Credcesta até conseguir um banco próprio. Comenda Dois de Julho Em janeiro de 2025, Lima recebeu a Comenda Dois de Julho, maior honraria da Assembleia Legislativa da Bahia. A proposta, do deputado estadual Vitor Azevedo (PL), foi apresentada em 17 de dezembro de 2024 e aprovada no mesmo dia, em discussão única, sem objeções. O texto destacava a atuação do empresário no Master e a compra do Will Bank. Em 2023, o deputado Sandro Régis (União Brasil) havia proposto a mesma homenagem e desistido no dia seguinte. Em novembro de 2023, Lima lançou em Salvador o Instituto Terra Firme, em evento com autoridades estaduais e municipais. Banco Pleno Em julho de 2025, Lima recebeu autorização do Banco Central para assumir o controle do Banco Voiter, que integrava o conglomerado do Master, e o rebatizou de Banco Pleno. A transferência foi anunciada pelo BC em agosto. O Pleno tinha como foco o crédito consignado e levou o Credcesta; o banco obteve aprovação para dois aumentos de capital de R$ 80 milhões cada, promovidos por Lima, além de operações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em 18 de fevereiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Pleno e da Pleno DTVM, citando o comprometimento da situação econômico-financeira e a deterioração da liquidez, e determinou a indisponibilidade dos bens de Lima. Antes da liquidação, ele ofereceu o Credcesta ao PicPay, que não quis seguir com a proposta. Em abril de 2026, segundo a Folha, Lima buscava investidores para um fundo que mantivesse a operação do cartão na Bahia, único estado onde o produto conserva exclusividade. Operação Compliance Zero Em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, Lima foi preso preventivamente pela Polícia Federal, no mesmo dia em que o Banco Central liquidou o Master. A investigação apura a venda de carteiras de crédito sem lastro do Master ao Banco de Brasília (BRB), que somaram R$ 12,2 bilhões. Em 26 de novembro, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, rejeitou um habeas corpus da defesa por supressão de instância. Lima foi solto cerca de duas semanas após a prisão e passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Em 18 de junho de 2026, Lima voltou a ser alvo da PF na nona fase da operação, que cumpriu 18 mandados de busca na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal e também mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo a PF, a relação entre os dois é antiga e de elevada confiança pessoal. Os investigadores identificaram 74 ligações telefônicas entre ambos em 18 meses, a compra de ingressos de camarote de R$ 63.339 para a família do senador em um show em Los Angeles, pagos pela Reag Investimentos. A PF também aponta que o senador recebeu um apartamento de R$ 2,45 milhões. Mensagens extraídas do celular de Lima mostram Wagner marcando encontros no gabinete, que ele chamou de "discreto" e "protegido"; o advogado-geral da União, Jorge Messias, citado nas conversas, nega ter participado de reunião com Lima. Wagner afirma estar tranquilo e que provará sua inocência. Com a retirada do sigilo de parte do inquérito pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, relatórios da PF tornados públicos em setembro de 2026 apontaram "participação dolosa" e "manifesta autoridade" de Lima nas operações entre o Master e o BRB em 2024 e 2025. Segundo a PF, em junho de 2025 ele tinha "grau elevado de ingerência" na substituição das carteiras cedidas ao BRB, a ponto de uma orientação sua se sobrepor a uma ordem de Vorcaro. Mensagens de janeiro de 2025 mostram a proximidade entre os ex-sócios mesmo depois do fim da sociedade. A defesa rechaça as conclusões e afirma que não há fundamento para atribuir os ilícitos a Lima. Depoimento à Polícia Federal Lima foi intimado a depor em janeiro e em maio de 2026, e o interrogatório marcado para 3 de agosto foi adiado a pedido da defesa, que pediu acesso integral às provas. Depois de trocar a equipe de advogados, ele prestou depoimento em 16 de outubro de 2026 na Superintendência da PF em Brasília, em duas sessões. A PF quer esclarecer sua participação na montagem das carteiras de crédito vendidas ao BRB e as suspeitas de vantagens indevidas a pessoas ligadas a Jaques Wagner. Em outubro, mensagens do celular de Vorcaro revelaram que, em fevereiro de 2025, Lima se opôs à contratação de Neymar como garoto-propaganda do Will Bank. Relações políticas Lima mantém trânsito com políticos baianos de diferentes campos. É próximo dos ex-governadores petistas Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner, e também de nomes do centro e da direita, como o ex-prefeito ACM Neto, o ex-ministro João Roma e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, com quem estudou no mesmo colégio. Para a diretoria do Banco Pleno, convidou Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. A Folha registrou ainda vínculos de seus negócios com fundos ligados à gestora Reag, liquidada pelo Banco Central depois de ser alvo da Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025.
Carreira

Trajetória

  1. 2025 — 2026
    Controlador e diretor-presidente do Banco Pleno

    Antigo Banco Voiter; liquidado pelo Banco Central em fevereiro de 2026.

  2. 2024 — 2025
    CEO do Banco Master

    Apresentado como acionista e CEO em proposta da Assembleia da Bahia de dezembro de 2024; a agenda do BC o registra como CEO do Master em 2025.

  3. 2023 — atual
    Fundador do Instituto Terra Firme

    Instituto lançado em Salvador em novembro de 2023.

  4. 2020 — 2024
    Sócio do Banco Master

    Sócio de Daniel Vorcaro a partir de maio de 2020; a defesa diz que deixou o banco em 28 de maio de 2024.

  5. 2018 — atual
    Criador do Credcesta

    Cartão de benefícios consignado criado após a privatização da Ebal, operado pela PKL One.

  6. 2001 — atual
    Fundador do grupo Terra Firme da Bahia

    Correspondente de instituições financeiras; depois ajudou a criar as associações de servidores Asteba e Asseba.

Projetos e Realizações

Iniciativas

Crédito consignado2018
Credcesta
Cartão consignado de benefícios

Lançado na Bahia, chegou a 24 estados e 176 municípios.

Negócios2018
Privatização da Ebal
Cesta do Povo

Lima levou ao governo baiano o modelo de cartão que tornou o leilão atrativo.

Finanças2024
Compra do Will Bank
Banco Master

Operação que levou o banco digital ao conglomerado do Master.

Terceiro setor2023
Instituto Terra Firme
Salvador

Instituto lançado em novembro de 2023.

Finanças2025
Banco Pleno
Antigo Banco Voiter

Banco voltado ao consignado, com dois aumentos de capital de R$ 80 milhões.

Na imprensa

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Aparições em vídeo

Perguntas frequentes

FAQ

Quem é Augusto Lima?

Augusto Lima é um economista e empresário baiano, criador do cartão consignado Credcesta e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. É investigado pela PF na Operação Compliance Zero.

Quem é proprietário do Banco Master?

O controlador do Banco Master era o banqueiro Daniel Vorcaro, que teve Augusto Lima como sócio. O banco foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.

Quantos anos tem Augusto Lima?

Augusto Lima tinha 46 anos em fevereiro de 2026. Ele é natural de Salvador, na Bahia.

Augusto Lima foi preso?

Sim: ele foi preso preventivamente pela PF em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, e foi solto cerca de duas semanas depois por decisão judicial.

Por que Augusto Lima é investigado?

A PF apura a participação dele na venda de carteiras de crédito sem lastro do Master ao BRB e suspeitas de vantagens indevidas ao senador Jaques Wagner. A defesa nega irregularidades.

Qual a relação de Augusto Lima com Jaques Wagner?

Segundo a PF, os dois têm uma relação antiga e próxima, com 74 ligações em 18 meses. Wagner conduziu a privatização da Ebal, que deu origem ao Credcesta, e afirma que provará sua inocência.

O que é o Credcesta?

O Credcesta é um cartão de benefícios com desconto em folha para servidores públicos, criado por Augusto Lima em 2018 na Bahia. O produto foi incorporado ao Banco Master e chegou a 24 estados.

O que aconteceu com o Banco Pleno?

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, controlado por Augusto Lima, em 18 de fevereiro de 2026. O Pleno era o antigo Banco Voiter, do conglomerado Master.

Augusto Lima ainda é sócio do Banco Master?

Não: a defesa afirma que ele deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024. Registros do Banco Central, porém, o listam como CEO do banco em reuniões de 2025.

Augusto Lima depôs à Polícia Federal?

Sim: ele prestou depoimento em 16 de outubro de 2026, na Superintendência da PF em Brasília, depois de dois adiamentos.

Qual a formação de Augusto Lima?

Augusto Lima é formado em economia por uma universidade particular de Salvador, com conclusão em 2002.

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